Desastre na Colômbia. 60 corpos recuperados dos destroços e seis sobreviventes

Lista de passageiros inclui quatro pessoas que não embarcaram

Já foram resgatados 60 corpos dos destroços do avião do Chapecoense que esta terça-feira caiu na Colômbia, indica a Cruz Vermelha colombiana. A aeronave seguia com 81 pessoas a bordo, segundo o manifesto, quando se despenhou numa zona montanhosa a 25 quilómetros de Medellín, onde a equipa brasileira ia disputar um jogo da Taça Sul-Americana. A tragédia está a comover o mundo do futebol e a América Latina.

As equipas de resgate tiraram sete pessoas vivas dos destroços, mas uma acabou por morrer no hospital, o que faz com que haja apenas seis sobreviventes. O número de mortos, no entanto, ainda não está definido, porque há quatro pessoas que estão na lista oficial e afinal não embarcaram.

A bordo da aeronave da companhia venezuelana Lamia seguiam os jogadores do Chapecoense, a equipa técnica e restante comitiva, bem como cerca de duas dezenas de jornalistas.

Os seis sobreviventes são o lateral Alan Ruschel, o guarda-redes Jackson Follmann e o defesa Hélio Hermito Zampier Neto, mais conhecido como Neto, a assistente de bordo Ximena Suárez e o técnico de voo Erwin Tumiri, e ainda o jornalista Rafael Hensel. Dois dos sobreviventes, segundo confirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos, estão em estado muito grave.

O guarda-redes Marcos Danilo Padilha, que foi retirado com vida do local, acabou por morrer no hospital.

Há ainda quatro pessoas que constam na lista e que não chegaram a embarcar, segundo avança o site G1: o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, e o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Gelson Merisio; um dirigente do clube, Plinio de Nes Filho, e ainda o jornalista Ivan Carlos Agnoletto.

O Chapecoense é uma equipa de Chapecó, do município de Santa Catarina, a sul de São Paulo, que vivia dias felizes - em menos de 10 anos passou da Série D brasileira, o quarto escalão, ao primeiro. Treinada por um técnico que conhecia bem o futebol português, por onde tinha passado como jogador, Caio Júnior, a equipa ia jogar a primeira mão da final da Taça Sul-Americana de futebol com os colombianos do Atlético Nacional. O sonho transformou-se em pesadelo com um acidente que destruiu a equipa, uma tragédia que fez o mundo do futebol reviver perdas como as da equipa do Torino em 1949 ou do Manchester United nove anos mais tarde.

O avião, uma aeronave com 17 anos, despenhou-se quando se aproximava do aeroporto de Medellin, depois de ter perdido o contacto com a torre de controlo. As autoridades colombianas estão a investigar uma possível falha elétrica, mas não excluem que o aparelho tenha ficado sem combustível antes de cair.

Vinha de uma escala no aeroporto Viru Viru de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, e caiu numa zona montanhosa, a cerca de 25 quilómetros do aeroporto, o que está a dificultar os trabalhos de socorro, obrigando os trabalhadores dos serviços de emergência a fazer parte do percurso a pé.

Os jogadores que não viajaram com a equipa, por estarem lesionados como foi o caso de Martinuccio, ou por não terem sido convocado, como o ex-sportinguista Marcelo Boeck, estão a concentrar-se no estádio do clube.

A tragédia abalou o mundo do futebol e por toda a Europa e América latina há demonstrações de pesar e solidariedade. No Brasil foram decretados três dias de luto nacional e na Colômbia a equipa que ia disputar a final, o Atlético Nacional, já disse que o título deve ser atribuído aos brasileiros.

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