Derrota do Estado Islâmico na Síria e no Iraque não diminui ameaça para a Europa

Regresso de ex-combatentes a países de origem ou sua colocação noutras áreas ameaça a segurança internacional", diz a ONU.

O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) sofreu uma derrota quase total nos campos de batalha do Iraque e da Síria onde, no espaço de três anos, perdeu a quase totalidade dos territórios que controlava nestes dois países e sofreu milhares de mortos.

A derrota nos territórios do Médio Oriente não é sinónimo do fim da ameaça sobre a Europa. Pelo contrário. Em junho de 2017, o subsecretário-geral dos assuntos políticos das Nações Unidas, Jeffrey Feltman, quando o EI ainda controlava Raqqa e partes do norte do Iraque, advertia para uma reconfiguração da estratégia dos islamitas: "está a concentrar-se cada vez mais na preparação de ataques fora das zonas de conflito", e citava então a Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido, Suécia e Turquia.

Uma estratégia que o regresso de ex-combatentes no Médio Oriente pode favorecer. E está-se perante uma ameaça que não tem por alvo unicamente a Europa ocidental. "A instalação desses combatentes noutras regiões [da Rússia ao Sudeste Asiático] representa uma ameaça considerável para a segurança internacional", explicou Feltman.

O responsável da ONU referia ainda que o volume de tráfego nas redes sociais estava em declínio, mas isso não significava que tivesse desaparecido a capacidade do EI influenciar elementos na Europa.

Esta é uma dimensão do risco de segurança no território europeu. A outra foi sublinhada no início da semana pela Europol, que divulgou um documento chamando a atenção para o regresso de numerosos combatentes, que foram para a Síria e Iraque no auge da influência do EI em 2014-2015, estão a regressar à Europa, notando que o nível de mobilização de combatentes para o grupo terrorista foi mais elevado na região dos Balcãs Ocidentais. O número referido pela Europol é de 800 para os nacionais desta região num total de cinco mil europeus.

Por seu lado, o diretor do organismo das polícias europeias, Rob Wainwright, também esta semana, explicava que o principal risco - como ficou evidenciado no ataque de ontem em Trèbes - é que as pessoas "são influenciadas mas não estão subordinadas" ao EI, o seu processo de radicalização desenrola-se, muitas vezes, de forma quase imediata, sem sinais prévios.

Um outro dado a revelar a dimensão da ameaça que pesa sobre a Europa, o diretor da Europol afirmou que existem cerca de 30 mil pessoas a integrarem diferentes grupos terroristas ou sob influência da propaganda online. Um potencial enorme para a concretização de atos terroristas, referiu Wainwright. Um balanço do Centro de Análise do Terrorismo (CAT), divulgado em janeiro mostrava isso mesmo:"em 2017, houve 62 incidentes terroristas em países da União Europeia, dos quais 15 atentados, sete tentativas e 40 projetos de atentados". A França foi o mais visado: cinco atentados, 6 tentativas e 20 projetos.

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