Demissões no Comité que investiga Papéis do Panamá

O Nobel da Economia Joseph Stiglitz e o especialista em direito penal Mark Pieth deixaram cargos

O Nobel da Economia Joseph Stiglitz demitiu-se do comité internacional criado após o escândalo dos "Papéis do Panamá" para investigar o sistema financeiro do país porque o governo panamiano recusou comprometer-se a divulgar o resultado da investigação.

O especialista em direito penal suíço Mark Pieth renunciou igualmente ao cargo.

As demissões foram anunciadas pelo governo do Panamá na sexta-feira ao final do dia, num comunicado em que afirma "compreender ambas as renúncias como diferenças internas sobre as quais não vai entrar" em pormenores.

O comité foi criado a 30 de abril pelo governo de Juan Carlos Varela para avaliar as práticas dos serviços financeiros do Panamá, depois da revelação dos "Papéis do Panamá", um acervo de 11,5 milhões de documentos da sociedade de advogados Mossack Fonseca divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e que mostram a utilização em grande escala de empresas em paraísos fiscais para esconder rendimentos dos ricos e poderosos.

A televisão local TVN divulgou na sexta-feira uma carta de um outro membro do comité, o economista costa-riquenho Roberto Artavia, segundo a qual Stiglitz demitiu-se em protesto pela falta de transparência do governo, que recusou comprometer-se a divulgar as conclusões da investigação do comité.

Os estatutos do comité explicitam que o governo do Panamá tem autoridade exclusiva sobre o conteúdo dos trabalhos e que os membros do comité se comprometem a não divulgar os resultados.

Outro membro do comité, o ex-administrador do Canal do Panamá Alberto Alemán, escreveu na sua conta no Twitter que a renúncia de Stigltiz e Pieth ocorreu "por quererem criar um caso mundial à volta dos PanamaPapers": "Não foi isso que nos foi pedido, atuamos de forma independente e transparente".

Joseph Stiglitz, professor na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, foi distinguido com o Nobel da Economia em 2001.

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