Da República Dominicana com amor

Dionício Santiago, de 44 anos, é chef do único restaurante dominicano em Portugal: Recuerda Amor. Situado em Linda-a-Velha, na Grande Lisboa, está a funcionar há cinco anos.

Dionício Santiago tinha nove anos quando começou a cozinhar. Nunca mais parou. Hoje, juntamente com a mulher, gere o único restaurante dominicano existente em Portugal, Recuerda Amor, situado em Linda-a-Velha. "Eu sou de La Romana. A minha família tinha uma barraca de venda de comida próxima de uma fábrica de têxteis. Vendíamos pastéis de farinha, carne e arroz aos trabalhadores da fábrica. Quando a minha avó ficou doente, a minha tia ficou a tomar conta da barraca. Eu fui trabalhar para um hotel e, como percebi que gostava, fui estudar hotelaria. Fui para Santo Domingo, a capital, estudar para chef", conta ao DN, sentado a uma das mesas do seu restaurante.

Ao longo do tempo, o chef Santiago trabalhou em vários hotéis. Aquele em que esteve mais tempo - quatro anos - foi o Barceló Dominican Beach. Na República Dominicana conheceu a mulher. Maria Carvalho Café (o apelido é do marido) ia sempre passar férias lá. Quando se conheceram ele pouco sabia sobre Portugal. Mas rapidamente descobriu que o bacalhau era um dos pratos favoritos dos portugueses e o fado a sua música tradicional. "Lá também comemos bacalhau, mas menos, porque é muito caro. Lá não o pomos tanto tempo de molho. Aqui faz-me confusão como deixam o bacalhau tanto tempo na água", exclama, entre risos, confessando que gosta também muito de cabrito, filhós, fatias douradas, etc...

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No restaurante, que está aberto há cinco anos e no qual ele e a mulher são os únicos funcionários, também há pratos de bacalhau. É o caso do San Pedro: bacalhau salteado com açafrão, cebola, coentros e batata assada. Muitos dos pratos do Recuerda Amor têm nomes alusivos a locais da República Dominicana, como Pico Duarte, Porto Caucedo, Monti Cristi ou Isla Catalina. "Aqui, em Portugal, há pessoas que dizem que foram a Punta Cana, não à República Dominicana. Nós queremos que as pessoas saibam que há lá mais coisas para ver", diz o chef, que antes de vir viver para Portugal, em 2009, teve a preocupação de conhecer a maior parte do seu país natal.

Com duas salas e 56 lugares sentados, como é que ele e Maria conseguem dar conta do recado sozinhos? "Isto não é apenas um restaurante. É um ambiente familiar onde as pessoas vêm relaxar. Já sabem que às vezes pode demorar um pouco. Mas fazemos tudo sozinhos. A adrenalina faz que tenha tudo pronto a horas", explica, garantindo que "o cliente não se importa de esperar porque gosta do resultado". Enquanto esperam, os clientes conversam, ouvem música dominicana - costuma ter sintonizada no restaurante a Rádio FM 107.5 de La Romana - e outros até dançam: Bachata - o tipo de música que se tornou símbolo da República Dominicana. Romeo Santos é um dos cantores mais conhecidos da atualidade.

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"Às vezes vêm aqui grupos das escolas de dança e dançam. Alguns bailam muito bem. Às vezes fico triste é quando saio à noite e vou a alguma festa e vejo que misturam bachata com kizomba. Não tem nada que ver. Acho que se alguém quer fazer algo, ao menos que faça bem. É a nossa cultura. E somos muito agarrados a ela. Às vezes, nas festas, olho e digo: isso não é assim", lamenta o chef, de 44 anos. "Há um professor de bachata muito bom, chama-se Ouzin [Gozmir]. Ele sim, gosto de ver, respeita a nossa cultura."

Pai de uma filha de 21 anos, Santiago quer voltar à República Dominicana este ano para conhecer a neta de sete meses. Há quatro anos que não vai lá. Gosta de Portugal, da forma aberta como os portugueses recebem os imigrantes, mas o seu país, é o seu país. "Quando saímos de casa, toda a gente diz bom dia. Mesmo que estejamos em casa, estamos sempre a ouvir música. Não há um fim de semana em que fiquemos em casa. Mesmo durante a semana saímos, bebemos um copo. Ouvimos música. A música dá vida. E a vida é muito curta. Há que desfrutá-la", sublinha o chef Santiago. Na República Dominicana, refere, "não somos pobres, pois temos algo que não se pode comprar, que é o acordar e ver o sol, é o viver feliz com o que se tem".

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