Premium Da China à França. Bolsonaro declara guerra ao mundo

Ainda antes da tragédia da Amazónia, o presidente do Brasil já causava atritos com o mundo árabe, com a China e com o Irão. Com Cuba e com a Venezuela. Com o Chile e a Argentina. Com a França, a Alemanha e a Noruega. Só com os EUA, ou melhor, com Trump o alinhamento é total.

"Não temos preconceito contra ninguém, mas temos uma profunda repulsa por quem não é brasileiro", disse Jair Bolsonaro, no dia 23 de julho durante a inauguração de um aeroporto na Bahia. A frase do presidente, proferida a meio de um dos habituais ataques a Organizações não Governamentais (ONG) de preservação ambiental, ganha atualidade numa altura em que o governo do Brasil acumula atritos com o mundo, nomeadamente com o presidente francês Emmanuel Macron.

Macron disse nas últimas horas que espera que o Brasil "tenha rapidamente um presidente que se comporte à altura do cargo". Antes, Bolsonaro reagira a um comentário de um apoiante numa rede social, que exaltava a suposta beleza de Michelle Bolsonaro por contraste com Brigitte Macron, nos seguintes termos - "kkkkkk [sinal de gargalhada], não humilha cara". Pelo meio, o ministro da Educação brasileiro, Abraham Weintraub, chamou o chefe de Estado francês de "calhorda, oportunista e cretino".

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Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

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Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.