Cruz e Rubio atacam Trump mas no fim admitem apoiá-lo

Senadores do Texas e da Florida criticaram o milionário por mudar de posição em relação à guerra no Iraque ou à imigração.

Reduzidos a quatro, os candidatos à nomeação republicana para as presidenciais de 8 de novembro nos EUA subiram ao palco em Detroit para mais um debate transmitido na FOX News. Donald Trump, confirmado o seu estatuto de favorito na superterça-feira, foi o alvo de todos os ataques. Ted Cruz acusou-o de enganar os eleitores sobre a imigração. Marco Rubio insinuou que tem mãos pequenas (deixando implícito que o mesmo acontece com outras partes da sua anatomia). O milionário chamou mentiroso a um, garantiu ao outro que "não há nenhum problema" com o tamanho das suas mãos "nem de outra coisa qualquer". John Kasich foi o único a tentar falar de propostas. E no fim, todos concordaram que se Trump for mesmo o nomeado, terão de o apoiar em novembro.

A semana e meia das primárias na Florida e Ohio, onde o vencedor fica com todos os delegados - podendo dar novos rumo à corrida republicana -, este debate teve momentos "surreais" como escreveu a CNN. Num artigo intitulado "Donald Trump defende o tamanho do seu pénis", a televisão americana recorda que o tamanho das mãos é há muito um ponto fraco para Trump, que já foi descrito pela Vanity Fair como "um homem vulgar de dedos curtos".

Imigração

Com o tempo a passar e a pressão de algumas figuras do partido a aumentar para travarem Trump, Rubio e Cruz empenharam-se em provar que o milionário do imobiliário não é de confiança e que já mudou de opinião em relação à guerra do Iraque, à imigração ou aos refugiados sírios. Trump - que entretanto desistiu de discursar hoje numa conferência no Maryland para fazer campanha no Kansas e Florida - encolheu os ombros e a garantir: "Temos de ter alguma flexibilidade".

Ambos de origem cubana, os senadores da Florida e do Texas questionaram Trump sobre o facto de empregar imigrantes no seu resort de Mar-a-Lago, em Palm Beach. E Cruz voltou a exigir que o adversário revele a gravação de uma entrevista sua ao New York Times na qual alegadamente terá dito off the record que não tenciona mesmo aplicar as duras medidas anti-imigração que tem prometido. A ex-estrela do reality show The Apprentice garantiu que respeita demasiado a ética jornalista para o fazer - Quanto à deportação dos 11 milhões de imigrantes ilegais e à construção de um muro na fronteira com o México, Trump admitiu que pode rever a sua posição em relação aos trabalhadores altamente qualificados e que aceita negociar a altura do muro.

Um dos ataques mais duros veio de Rubio, quando garantiu que Trump "está a tentar enganar as pessoas para que lhe deem o seu voto, como enganou as pessoas [que se inscreveram na Trump University] para lhe darem o seu dinheiro".

No final, questionados se apoiariam Trump caso seja o nomeado, Cruz, Rubio e Kasich acabaram por dizer que sim. Mesmo se o governador Kasich, que acredita no vitória no seu Ohio dia 15, garantiu com um sorriso: "Mas eu é que vou ser o nomeado". E Trump, apoiaria um dos adversários? Depois de um momento de incredulidade - "Mesmo que não seja eu?" -, o magnata afirmou que sim.

Uma das maiores dúvidas nos media ontem era se tantos ataques vão mesmo surtir efeito e debilitar Trump. Este tem conseguido até agora resistir a todas as polémicas e sair sempre como o favorito dos republicanos. Durante o debate, o magnata continuou a ser o mais referido no Twitter, mas, segundo os analistas da Brandwatch, que monitorizam a atividade naquela rede social, pela primeira vez a maioria das referências ao magnata eram negativas (64%). No anterior debate recebera 62,5% de opiniões positivas.

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