Criança muçulmana recebe bilhete com ameaça de morte

Menina de dez anos encontrou duas notas manuscritas no seu cacifo. Uma delas acusava-a e ser "uma terrorista"

Uma criança de dez anos encontrou dois bilhetes anónimos no seu cacifo numa escola primária em Boston, EUA. Nos manuscritos, é chamada de "terrorista" e recebe uma ameaça de morte. As autoridades estão a investigar o caso que é considerado crime de ódio.

Segundo a CNN, que mostrou imagens dos bilhetes, ainda que tenha ocultado o nome da menina, para proteger a sua identidade, a primeira nota foi recebida na sexta-feira. Escrita a lápis, dizia: "Tu és uma terrorista". Na terça-feira, a criança encontrou o segundo bilhete, mais ameaçador: "Vou matar-te", lia-se.

Para Robert Tremblay, responsável pelo Distrito Escolar de Framingham, nem a criança muçulmana nem os restantes alunos da escola estão em perigo. "A segurança é a nossa prioridade", disse, durante uma conferência de imprensa, na passada quarta-feira.

Além da investigação policial, o distrito escolar está também a investigar o caso.

Depois da aluna ter encontrado o primeiro bilhete, a escola não alertou imediatamente a polícia e tentou identificar o autor ou autora da nota dentro da escola, Mas quando apareceu o segundo bilhete, decidiu chamar as autoridades.

Jamaal Siddiqui, tio da menina ameaçada, disse à CNN que a sobrinha continua a ir à escola todos os dias. "Ela disse-nos que quer continuar a ser o mais normal possível. Não quer ser tratada de forma diferente", contou o familiar.

A família faz parte envolvida da comunidade de Framingham há décadas. "Eu já fui alvo de racismo. A minha mulher também. Como adultos, sabemos lidar com isso", disse Siddiqui. "Mas para a nossa sobrinha, ela não sabe porque razão é um alvo", desabafou.

Robert Tremblay disse também na quarta-feira que a discussão acerca do ódio deveria acontecer em todo o estado. "É um problema generalizado. Temos de nos posicionar e resolver".

"Este tipo de ódio, de onde é que vem? Não é um sentimento inato que uma criança teria. E a preocupação que temos é, como é que isto poder ser uma oportunidade de aprendizagem nas nossas salas de aula?", disse ainda.

Foi pedido a todos os alunos do quinto ano - aquele que a criança muçulmana frequenta - para que escrevessem bilhetes simpáticos à menina.

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