Corbyn quer nacionalizar operadora e promete banda larga gratuita

O Partido Trabalhista prometeu nacionalizar a rede fixa da operadora de telecomunicações BT para fornecer banda larga de fibra gratuita para todos se ganhar as eleições de 12 de dezembro.

"É hora de tornar a banda larga de fibra completa mais rápida e gratuita para todos, em todas as casas e em todos os cantos do país", disse o líder trabalhista Jeremy Corbyn num discurso. "Ao criarmos a banda larga britânica como um serviço público, lideraremos o mundo na utilização do investimento público para transformar o nosso país, reduzir as contas mensais das pessoas, impulsionar a nossa economia e melhorar a qualidade de vida das pessoas".

Mais tarde, Corbyn explicou no Twitter: "Apenas 8-10% das instalações no Reino Unido estão ligadas à banda larga de fibra. No Japão é 97%. 8 em 10 de nós experimentaram problemas na internet no ano passado"

O anúncio teve como consequência imediata a queda das ações da BT em 3,7%, tendo desvalorizado a sua capitalização em cerca de 500 mil milhões de libras.

O Partido Trabalhista disse que pretende nacionalizar o Openreach, a empresa da rede digital do maior fornecedor de banda larga e de telefonia móvel do país, bem como partes da BT Technology, BT Enterprise e BT Consumer.

O plano dos trabalhistas orça em 15,3 mil milhões de libras ​​​​​​​e que o custo da nacionalização de partes da BT seria fixado pelo parlamento e pago através da troca de obrigações por ações.

Em termos práticos exigiria uma atualização profunda das infraestruturas de internet do Reino Unido, que seria paga através do aumento de impostos sobre empresas de tecnologia como o Facebook, Google e Amazon e com o fundo de transição verde, um projeto dos trabalhistas para dez anos e cujo investimento ascende aos 250 mil milhões de libras.

A BT cuja origem remonta a 1846, como empresa de telégrafos, foi privatizada pelo governo conservador de Margaret Thatcher em 1984. O seu administrador executivo, Philip Jansen, comentou os planos do Labour como "muito, muito ambiciosos" e lembrou que os conservadores também têm a "sua própria ideia ambiciosa". "A forma como o iremos fazer não é linear", disse à BBC, mas de uma ou de outra forma crê que exige cem mil milhões de libras.

"Esquema louco", diz Boris Johnson

O primeiro-ministro Boris Johnson promete levar a fibra a todos os lares britânicos até 2025. Durante um programa na BBC Radio 5, Johnson comentou o plano do rival: "O que vamos oferecer é banda larga de gigabytes para todos e o que não vamos fazer é um esquema louco que envolveria muitas, muitas dezenas de milhares de milhões [de libras] dos contribuintes para nacionalizar uma empresa britânica."

Também os liberais democratas não se mostraram satisfeitos com o plano dos trabalhistas, tendo apontado para outro aspeto: a de que este projeto não será possível de realizar enquanto Estado-membro da União Europeia.

"O anúncio de banda larga do Partido Trabalhista é uma admissão de que querem o Brexit. Partindo do princípio de que podem nacionalizar o BT Openreach ao abrigo das regras da UE em matéria de auxílios estatais, não há forma de o poderem oferecer gratuitamente ao abrigo do direito da concorrência da UE. O Partido Trabalhista não é um partido pela permanência na UE", reagiu Sam Gyimah, um ex-conservador que se juntou aos liberais democratas em setembro, e pelos quais vai concorrer a deputado.

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