May recusa descartar eleições europeias no Reino Unido

Ao mesmo tempo em que disse estar ansioso para se reunir, esta tarde, com a primeira-ministra, o líder da oposição trabalhista acusou o governo conservador de travar luta contra a pobreza.

Jeremy Corbyn congratulou-se com a oferta de diálogo sobre o Brexit feita na véspera por Theresa May. O líder do Labour aplaudiu "a vontade de encontrar um compromisso" por parte da chefe do governo do Reino Unido, dizendo estar ansioso pelo encontro que os dois vão ter esta tarde para falar do caótico processo de retirada da UE.

Logo em seguida, Corbyn desferiu vários ataques contra a primeira-ministra do Partido Conservador, acusando o seu governo de travar o combate à pobreza quando, o anterior governo, do Labour, tinha tirado dois milhões de pensionistas da pobreza. May, ironizando, disse que não sabia que Corbyn era um tão grande fã do anterior governo trabalhista, liderado por Tony Blair, primeiro, por Gordon Brown, depois, uma vez que passava a vida a votar contra o mesmo.

O líder parlamentar do Partido Nacionalista Escocês (SNP), Ian Blackford, voltou a lembrar, por sua vez, que a Escócia é favorável a um voto popular sobre o Brexit ou, então, à revogação do Artigo 50º, garantindo que o seu partido sempre procurou sempre um compromisso mas que nunca foi verdadeiramente ouvido.

A sessão de perguntas à primeira-ministra desta quarta-feira segue-se ao anúncio, feito na véspera, por parte de May, de que ia dialogar com Corbyn para chegar a um entendimento para pedir, eventualmente, uma nova extensão do Artigo 50º. Isto depois de a câmara dos Comuns ter falhado em aprovar, por três vezes, o seu acordo de Brexit com a UE27. E depois de os deputados britânicos terem falhado, já por duas vezes, em encontrar uma maioria em torno de uma alternativa a esse acordo. Porém, nas sessões de votos indicativos, a opção que reuniu mais votos foi a de incluir uma união aduaneira no acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Os britânicos deviam ter saído a 29 de março, às 23.00, mas depois de terem obtido uma primeira extensão do Artigo 50º, a nova data a observar é, agora, o dia 12 de abril. Dois dias antes, a 10, há um Conselho Europeu. Resta ver se nessa cimeira dos líderes da UE27 concordam com uma nova extensão, qual o tipo de extensão, ou se, pelo contrário, haverá um No Deal. A haver uma qualquer solução, a próxima data a observar é a de 22 de maio.

A República da Irlanda já indicou que está disposta a conceder mais uma extensão do Artigo 50º. Recusando que a UE fique refém da política interna britânica, o presidente de França, Emmanuel Macron, afirmou: "Se o Reino Unido for incapaz de propor uma solução que seja apoiada por uma maioria então eles terão, de facto, escolhido sair sem um acordo".

Pressionada de todos os lados na câmara dos Comuns, no governo e na UE, May voltou a sublinhar esta manhã que está comprometida em levar o Brexit a um bom porto, com um acordo aprovado, tendo cautela com as extensões de prazos que são pedidas para que o Reino Unido não tenha que participar nas eleições europeias de maio. "O que quero agora é encontrar uma posição que permita ter um apoio amplo desta câmara ao acordo de retirada, o que permitirá uma saída a 22 de maio", declarou a chefe do governo.

Porém, há sempre um porém, a líder conservadora recusou-se a garantir que o Reino Unido não participará mesmo nas eleições europeias se a UE27 disser que só concede mais uma extensão do Artigo 50º se essa extensão for longa. May respondia a uma pergunta que lhe foi colocada pelo deputado conservador pró-Brexit, Nigel Evans, numa altura em que os brexiteers radicais e alguns membros do próprio governo preferiram um No Deal Brexit a qualquer acordo com Corbyn e o Labour.

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