Controladora aérea diz que fez o "humanamente possível e o tecnicamente obrigatório"

Yaneth Molina escreveu carta a colegas em que lamenta queda do avião onde viajava a esquipa da Chapecoense

A controladora aérea que manteve contacto com o piloto do avião em que viajava a equipa da Chapecoense nos momentos imediatamente antes de o aparelho cair, na madrugada de terça-feira, terá escrito uma carta dirigida aos colegas, em que lamenta a perda de vidas mas garante ter feito tudo para evitar aquele desfecho.

A imprensa colombiana divulgou hoje a mensagem que terá sido escrita por Yaneth Molina. É esse o nome que consta no final do texto, bem como o cognome profissional, Ynaky Mike, e, segundo a Folha de São Paulo, uma rádio colombiana confirmou a sua autenticidade.

"Fiz o humanamente possível e o tecnicamente obrigatório para preservar a vida desses utilizadores do transporte aéreo, lamentavelmente meus esforços foram infrutíferos, pelas razões que todos vocês já conhecem", lê-se no texto datilografado publicado pela imprensa colombiana e reproduzida pela brasileira.

A controladora aérea realça que, devido à profissão, passa por situações semelhantes a estas "todos os dias" e "todos os turnos", mas garante: "Tudo o que fiz na transmissão foi para preservar a integridade dos ocupantes, principalmente dessas duas aeronaves e consequentemente dos ocupantes das outras aeronaves que estavam sob minha responsabilidade".

Yaneth Molina diz que tem recebido ameaças. "Lamentavelmente, por causa dos meus colegas jornalistas, pessoas ignorantes e alheias a este trabalho e que sobretudo ignoram os procedimentos, têm ameaçado minha integridade física e minha tranquilidade pessoal".

"Senhorita, 2.933 está em falha total, falha elétrica total e sem combustível", disse o piloto Miguel Quiroga, da companhia boliviana Lamia, à controladora aérea, segundo uma gravação divulgada ontem.

Esta respondeu: "Pista livre e esperando chuva sobre a superfície Lamia 933, bombeiros alertados". Pouco antes, o piloto tinha solicitado "prioridade para a aproximação".

O avião, da companhia boliviana Lamia, caiu a 17 quilómetros do início da pista do aeroporto José Maria Córdova de Rionegro, que serve Medellin, provocando a morte a 71 dos 77 passageiros e tripulantes.

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