Confrontos entre manifestantes e polícias deixaram 377 feridos no Líbano

Nas últimas semanas, as manifestações em Beirute ganharam força devido ao agravamento da situação socioeconómica do país e à incapacidade das autoridades em formar um governo, após a demissão do primeiro-ministro Rafic Hariri.

Um total de 337 pessoas ficaram feridas nos confrontos deste sábado entre manifestantes e polícias em Beirute, um nível de violência inédito desde o início do protesto e que mostra que a situação tem vindo a piorar no Líbano, mergulhado em uma crise socioeconómica e política.

Os manifestantes mobilizaram-se este junto ao parlamento, próximo à Praça dos Mártires, epicentro dos protestos, que começaram em 17 de outubro. Este sábado à noite, houve confrontos nesta parte do centro da cidade, que se viu envolta numa nuvem de gás lacrimogéneo e perturbada por sirenes de ambulâncias.

As forças de segurança dispararam balas de borracha e os manifestantes lançaram pedras. A violência começou em frente a uma das principais portas do parlamento, no centro de Beirute, quando manifestantes atacaram a polícia de choque.

Os feridos, entre manifestantes e polícias, foram atendidos no local ou levados para hospitais, segundo dados da Cruz Vermelha e da Defesa Civil libanesas.

Cerca de 30 pessoas foram detidas nestes incidentes, embora entretanto libertadas, anunciou neste domingo a agência oficial ANI, a mando da procuradoria. "Não havia justificação para o uso brutal da força pela polícia contra manifestantes, a maioria pacíficos", estimou a Human Rights Watch (HRW).

As manifestações ganharam força nas últimas semanas, pelo agravamento da situação socioeconómica e pela incapacidade das autoridades de formar um governo mais de dois meses depois da demissão do primeiro-ministro Rafic Hariri. Nos últimos dias, manifestantes atacaram agências de vários bancos, acusados de serem coniventes com o poder, no bairro Hamra, em Beirute.

As manifestações das últimas semanas também respondem às restrições que os bancos estão impondo aos saques. O Líbano tem uma dívida de quase 90 bilhões de dólares, ou mais de 150% de seu PIB, e o Banco Mundial advertiu, em novembro, que o índice de pobreza poderia atingir 50% da população, contra o atual um terço.

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