Condenados nove líderes do movimento dos guarda-chuvas em Hong Kong

São acusados de incitar distúrbios públicos e enfrentam penas até sete anos por cada acusação

Nove líderes do maior movimento de desobediência civil na história de Hong Kong foram esta terça-feira considerados culpados por atos nos protestos de 2014 e incorrem em penas de até sete anos de prisão por cada acusação.

Entre os condenados, estão os também fundadores do movimento "Occupy Central", em 2013: Chan Kin-man, de 59 anos, professor de sociologia, Benny Tai, de 54, professor de direito, e Chu Yiu-ming, de 74 anos, ministro da Igreja Batista de Chai Wan em Hong Kong.

Os três foram considerados culpados de conspiração para perturbar a ordem pública de incitarem ao motim através da obstrução ilegal de lugares públicos, bem como de incitar e mobilizar manifestantes "para alterar a ordem pública".

De acordo com o tribunal, o objetivo dos ativistas era "forçar as autoridades a responder às suas reclamações políticas".

Os deputados Tanya Chan e Shiu Ka-chun, os ex-líderes estudantis Tommy Cheung Sau-yin e Eason Chung Yiu-wa e o vice-presidente da Liga dos Sociais-Democratas, Raphael Wong Ho-ming, foram considerados culpados de incitação para cometer distúrbios públicos.

Também o ex-deputado democrata Lee Wing-tat, de 63 anos, foi considerado culpado de uma acusação de incitamento.

Os nove, que enfrentam penas de até sete anos por cada acusação, são os últimos ativistas condenados pelos protestos, que se prolongaram por 79 dias em 2014, em Hong Kong.

Vários ativistas foram já julgados pelo Ministério da Justiça, estando a cumprir penas de prisão. Alguns foram proibidos de concorrer às eleições e outros foram desqualificados do Conselho Legislativo da região administrativa especial chinesa.

Entre 28 de setembro e 15 de dezembro de 2014, centenas de milhares de pessoas paralisaram quarteirões inteiros da antiga colónia britânica para exigir o sufrágio universal na escolha do chefe do Executivo de Hong Kong, nomeado por uma comissão pró-Pequim. Mas as autoridades chinesas não recuaram.

Em 28 de setembro, o movimento "Occupy Central" decretou o início da sua campanha de desobediência civil, juntando-se a outros protestos em curso há dois dias junto à sede do Governo de Hong Kong.

A ação da polícia desencadeou manifestações mais importantes, levando ao movimento pró-democracia, também conhecido como a revolta dos guarda-chuvas, usados pela multidão para se proteger das granadas de gás lacrimogéneo.

Chan, Tai e Chu renderam-se à polícia em dezembro de 2014, pondo fim ao movimento "Occupy Central".

Recentemente, o cancelamento de eventos literários e artísticos e a recusa em permitir a entrada de um jornalista do Financial Times em Hong Kong reacenderam a preocupação com a liberdade de expressão naquele território administrado pela China.

Em 1997, na transferência de soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China foi prometida uma semiautonomia durante 50 anos, que permitiria manter os direitos de reunião e liberdade de expressão no território.

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