Condenados e procurados pela Interpol. Quem são os irmãos el-Bakraoui?

Um tinha sido condenado a 9 anos de prisão, outro a 5. Fizeram-se explodir ontem, com outro suicida. Um quarto atacante está em fuga

Um fez-se explodir no aeroporto de Bruxelas e outro na estação de metro de Maelbeek, na terça-feira de manhã, matando pelo menos 31 pessoas, num atentado reivindicado pelo Estado Islâmico que levou o terror ao coração da Europa. E são apontados como os homens da logística dos atentados Paris. Mas há uns anos os dois irmãos el-Bakraoui não passavam de criminosos comuns.

A confirmação da radicalização chegou esta quarta-feira, quando o procurador belga confirmou que dois dos três bombistas suicidas que atacaram Bruxelas eram Ibrahim el-Bakraoui e o irmão Khalid el-Bakraoui. O segundo suicida do aeroporto era Najim Laachraoui, e um terceiro atacante está em fuga, depois de ter deixado um "grande saco" de explosivos no aeroporto.

Mas o que sabe dos irmãos el-Bakraoui? O mais velho, Ibrahim, nasceu em 1986 , em Bruxelas. Khalid era mais novo: nasceu a 12 de janeiro de 1989, também em Bruxelas, e tinha nacionalidade belga e das Bahamas, segundo informação da Interpol.

Antes da radicalização, e tal como outros atacantes dos atentados de Paris, os dois irmãos já tinham tido problemas com a polícia: Ibrahim foi condenado a nove anos de prisão em 2010 por disparar contra polícias numa tentativa de assalto a uma agência da Western Union; Khalid foi condenado a cinco anos de pena suspensa por uma tentativa de carjacking em 2011. Em ambos os casos a polícia encontrou Kalachnikovs na posse dos irmãos.

"Os el-Bakraoui não tinham de todo o perfil de radicais islâmicos, mas sim de pessoas ligadas ao crime, dispostos a tudo por dinheiro", disse ao jornal francês L'Obs uma fonte da investigação, a meio do mês. E, apesar de a história da sua radicalização ainda estar por contar - talvez tenha acontecido na prisão? -, quando as autoridades voltam a ouvir falar deles já é com ligação ao terrorismo.

Não há nenhuma informação de que os irmãos tenham estado na Síria, ao contrário dos outros atacantes de Paris. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse esta quarta-feira que um dos terroristas foi "apanhado na Turquia" em junho do ano passado e deportado a seu pedido de volta para a Holanda, mas a procuradoria-geral belga desmentiu a informação. Erdogan disse ainda que a deportação tinha sido comunicada às autoridades belgas e que o país "ignorou" o aviso de que o homem era um combatente terrorista. O gabinete do presidente esclareceu mais tarde que se tratava de Ibrahim.

Segundo um investigador, os el-Bakraoui não tinham de todo o perfil de radicais islâmicos

A Interpol lançou um alerta vermelho em agosto passado sobre Khalid, especificando que o homem era procurado pelas autoridades belgas para cumprir pena e também no âmbito de acusações por terrorismo.

Depois surge a ligação aos atentados de Paris: Khalid terá usado um nome falso, Ibrahim Maarouf, para arrendar um apartamento em Charleroi, no sul da Bélgica, em setembro passado, e foi nessa casa que foram encontradas as impressões digitais de Abdelhamid Abaaoud, cérebro dos atentados de Paris, e de Bilal Hadfi, o belga que se fez explodir no Stade de France em Paris.

Na semana passada a imprensa belga revelou que a polícia estava à procura dos dois homens, depois de uma operação antiterrorista no bairro de Forest, em que três polícias ficaram feridos. A televisão RTBF disse que Khalid arrendou também o apartamento de Forest com um nome falso.

Há ainda a casa de Schaerbeek, que as autoridades encontraram graças ao testemunho de um taxista que levou os três ao aeroporto. Uma mensagem encontrada num computador achado no lixo perto desta casa, atribuída pelo procurador a Ibrahim, indicava que o homem tinha dificuldade em lidar com a pressão dos últimos tempos. El-Bakraoui dizia que a polícia estava atrás dele e que não queria acabar numa cela de prisão. "Sempre em fuga, sem saber o que fazer, procurado em todo o lado", terá dito Ibrahim.

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