Combates já causaram 234 mortos e 400 feridos

A tensão entre os rebeldes Huthis e os partidários do ex-presidente Ali Abdallah Saleh agravaram-se após este ter sido abatido na segunda-feira

Os combates entre o campo rebelde na capital do Iémen, Sanaa, provocaram pelo menos 234 mortos e cerca de 400 feridos, indicou esta terça-feira um porta-voz do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A morte de Abdallah Saleh foi condenada pela Liga Árabe que, a partir do Cairo, considerou os rebeldes Huthis uma "organização terrorista".

Num comunicado, o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, pediu à comunidade internacional que se mobilize para "conter as perigosas repercussões" que o assassinato de Saleh pode provocar no país.

"O assassinato (de Saleh) ameaça fazer explodir a situação de segurança no país e pode degradar ainda mais a já deficiente situação humanitária", indicou Mahmud Afifi, porta-voz de Aboul Gheit.

A Liga Árabe, que desde o início do conflito iemenita defende a legitimidade do presidente Abdo Rabu Mansur Hadi e se manifesta contra os rebeldes Huthis, considerou que o assassinato de Saleh revela a "natureza criminosa das milícias", acusando-as de constituírem a "principal causa da destruição no país".

Os Huthis abateram na segunda-feira o ex-presidente iemenita, até então seu aliado, quando Saleh tentava fugir de Sanaa no meio dos violentos combates entre as forças das duas fações.

No sábado, Saleh rompeu as relações com os Huthis e ofereceu-se para negociar com a coligação árabe, liderada pela Arábia Saudita, até então a principal inimiga.

As milícias Huthis considerou a decisão de Saleh uma "traição" e um "golpe" contra o grupo, que controla a capital iemenita desde finais de 2014.

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