Coletes amarelos: ONU pede investigação sobre violência policial em França

A Alta Comissária dos Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, pediu ao governo francês para iniciar investigações "exaustivas" perante as denúncias de uso de força excessiva contra os manifestantes "coletes amarelos".

Na apresentação do relatório anual no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, a Alta Comissária incitou o executivo de Emmanuel Macron a "continuar o diálogo, incluindo um amplo debate nacional que neste momento não existe" sobre os "coletes amarelos".

Bachelet referiu-se aos protestos semanais do movimento de contestação considerando que os "coletes amarelos" demonstram que uma parte da sociedade francesa se sente "excluída de direitos económicos e da participação em questões públicas".

Milhares de franceses participam em manifestações desde o final de 2018 sendo que os primeiros protestos foram contra a subida do preço dos combustíveis, que não chegou a ser aprovado em virtude da contestação.

Nas últimas duas semanas, membros do movimento concentraram-se frente à sede europeia das Nações Unidas, em Genebra, para denunciar os atos de brutalidade da polícia durante as manifestações em França.

Durante as manifestações morreram mais de vinte pessoas, 1 800 ficaram feridas e, de acordo com dados do Ministério do Interior de França, mais de oito mil manifestantes foram detidos.

Menor participação na 16. ª semana

Segundo o Ministério do Interior, 39 mil e 300 pessoas participaram nas manifestações deste sábado, que decorreram pela 16 º semana de mobilização dos "coletes amarelos", face aos 46 mil da semana passada.

Em Paris, cerca de 4 mil manifestantes saíram à rua, tendo sido detidas 17 pessoas.

Em outras cidades como Lyon, Bordéus ou Nantes também desfilaram milhares de pessoas contra o presidente da França, Emmanuel Macron.

Em Bordéus e Nantes registaram-se os piores incidentes do dia, com a polícia a fazer 15 detenções em cada uma das cidades.

De acordo com os dados avançados na página "Número Amarelo" na rede social Facebook, gerida por um grupo de "coletes amarelos", a participação cifrou-se em 92 mil manifestantes, face aos 113 mil do sábado passado.

O movimento vive um momento crucial, com grandes manifestações previstas para 16 de março, depois de ter perdido força nas últimas semanas e de as sondagens começarem a revelar algum desgaste no apoio popular.

A 17 de novembro de 2018, o movimento dos "coletes amarelos" iniciou uma série de manifestações contra a política fiscal e social de Macron, com 282 mil manifestantes.

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