Cientistas querem reunir 4000 pessoas num concerto para estudar contágio

O objetivo é estudar como se transmite o coronavírus em grandes aglomerados. Uma universidade alemã pretende juntar 4000 voluntários numa arena de Leipzig, todos equipados com um sistema de rastreamento e gel fluorescente para os investigadores acompanharem tudo ao segundo.

É um projeto de espetáculo com fins científicos e que precisa de 4000 voluntários. Uma universidade alemã decidiu organizar um concerto para estudar como o vírus Sars-CoV-2 pode ser transmitido sob essas condições, em que se juntam milhares de pessoas num espaço.

O Restart-19 é um projeto liderado pela Universidade de Medicina Martin-Luther, em colaboração com o Ministério da Saúde da Saxónia. O objetivo é promover a reunião de 4000 pessoas num concerto no dia 22 de agosto numa arena coberta em Leipzig.

Com este estudo, no valor de 990.000 euros, os organizadores e cientistas esperam encontrar "um caminho intermediário entre o antigo e o novo padrão que permita aos organizadores de eventos integrar pessoas suficientes numa sala de concertos para evitar perdas financeiras", disse Stefan Moritz, chefe do departamento de doenças infecciosas da universidade., citado pelo The Guardian.

O que se pretende? "Identificar um método" que permita a organização de eventos com um grande número de público sem criar um novo cluster de transmissão de covid-19. Como Jean-Claude Manuguerra, chefe da Unidade de Intervenção Biológica de Emergência do Institut Pasteur, explicou ao HuffPost , "é sobretudo a natureza, o tempo e o número de contactos efetuados" que levam à criação de uma cadeia de "super contaminação".

Para tornar a simulação o mais realista possível, os organizadores do concerto convidaram o cantor Tim Demzko para se apresentar em palco, em frente a uma sala de 4.000 espetadores com idades entre 18 e 50 anos e que tenham testado negativo ao coronavírus.

O evento - que será gratuito - está programado para o dia inteiro, com três simulações diferentes: um primeiro cenário prevê um concerto como antes do aparecimento do vírus, sem distanciamento social e com grandes fluxos de pessoa. O segundo seguirá um conceito de higiene "otimizado", com apenas um em cada dois assentos acessíveis ao público e com o acesso à sala regulado. Depois, o terceiro cenário envolve apenas 2.000 espetadores que terão que respeitar distâncias de 1,50 metros entre eles.

Nos três cenários, os participantes serão equipados com uma máscara e terão gel desinfetante. Mas este será um pouco especial: será fluorescente e permitirá aos cientistas identificar com os raios UV as áreas onde a transmissão do vírus por contacto é mais provável. Os participantes também serão equipados com um sistema de "rastreamento" para recolher dados a cada 5 segundos sobre como se movem e quão próximos estão de outras pessoas.

Um mês antes do evento pouco mais de 1000 voluntários já estão registados. Os resultados, esperados no início de outubro, podem dar uma nova esperança ao setor de eventos culturais e também desportivos.

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