Cidades europeias e EUA reforçam segurança no Ano Novo

Objetivo é evitar atentados como o de Berlim. Agências de segurança norte-americanas dizem que risco é baixo nos EUA, mas as hipóteses de ataque são "inegáveis".

As capitais europeias reforçaram a segurança antes dos festejos de Ano Novo, erguendo barreiras de cimento nos centros das cidades e aumentando o número de polícias nas ruas depois do ataque do Estado Islâmico na semana passada, em Berlim, que matou 12 pessoas.

Nos EUA, as agências de defesa e de segurança disseram acreditar que a ameaça de um atentado no interior do país era baixo durante a Passagem do Ano, mas ainda assim as hipóteses de um ataque são "inegáveis".

Em Berlim, a polícia fechou na sexta-feira a Pariser Platz, frente às Portas de Brandeburgo, e destacou mais 1700 polícias para as ruas. Veículos blindados vão ser colocados ao longo dos blocos de cimento que bloqueiam a área.

"Todas as medidas estão a ser tomadas para prevenir um possível ataque", disse à Reuters o porta-voz da polícia de Berlim, Thomas Neuendorf. Alguns agentes vão estar armados com metralhadoras, pouco comum para a polícia alemã.

Em Colónia, onde no ano passado centenas de mulheres foram assediadas sexualmente e assaltadas no exterior da estação de comboios, a polícia instalou novas câmaras de vigilância. Esses ataques, atribuídos a suspeitos de origem norte-africana e árabe, fizeram aumentar as críticas em relação à decisão da chanceler alemã, Angela Merkel, de aceitar quase um milhão de migrantes no ano passado.

Em Itália, há reforço de segurança na praça central de Milão (onde o tunisino responsável pelo ataque de Berlim acabou por ser morto pela polícia) e os camiões não podem circular no centro de Roma e Nápoles. A polícia e soldados carregam metralhadoras no exterior dos locais turísticos, incluindo o Coliseu de Roma.

Madrid destacou mais 1600 polícias extra para o fim de semana da Passagem de Ano. Pelo segundo ano consecutivo, o acesso à Porta do Sol, onde os madrilenos se concentram para celebrar a chegada do Ano Novo, vai ser controlado através de barricadas. Só 25 mil pessoas serão autorizadas a entrar.

Em Bruxelas, onde bombistas suicidas islamitas mataram 16 pessoas em março, o presidente da câmara ainda ponderou cancelar as festas de Passagem de Ano, mas acabou por autorizá-las.

Em Paris, onde 130 pessoas morreram nos atentados de novembro de 2015, as autoridades reforçaram também a segurança, esperando 600 mil pessoas para o espetáculo de fogo-de-artifício nos Campos Elísios. Seguranças privados vão revistar as pessoas nas imediações.

Locais turísticos como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo ou o museu do Louvre estão a ser patrulhados por soldados armados. Na área metropolitana de Paris há 10 300 polícias, guardas, soldados, bombeiros e outro pessoal de segurança destacados. No ano passado eram 11 mil.

Em todo a França, mais de 83 mil polícias e sete mil soldados vão estar de serviço na Passagem de Ano. Na quarta-feira, foi detido um homem por suspeita de que estaria a planear um ataque para o dia de hoje.

"Temos de continuar sempre vigilantes e pedimos aos cidadãos para serem também vigilantes", disse o ministro do Interior francês, Bruno Le Roux, dizendo que a ameaça de um ataque terrorista é elevada.

Em Viena, a polícia distribuiu mais de mil alarmes de bolso para as mulheres, de forma a evitar situações como as de Colónia. "No momento, não há prova de um risco específico para a Áustria. Contudo, estamos a falar de uma maior situação de risco", disse o ministro do Interior austríaco, Wolfgang Sobotka. "Não estamos a deixar nada ao acaso em relação à segurança", acrescentou.

Nos EUA, "não existe indicação de uma ameaça específica", segundo um boletim do exército sobre o tema. "Contudo, a ameaça de extremistas violentos criados nos EUA é inegável", acrescentava a mesma fonte, consultada pela Reuters.

De acordo com altos funcionários, existiram nos últimos dias ameaças específicas, contudo não foram consideradas credíveis.

Para as celebrações da Passagem do Ano em Nova Iorque, na Times Square, foram destacados sete mil polícias (mais mil do que há um ano), tendo também sido colocados cem veículos bloqueadores nas imediações para prevenir ataques como os de Berlim, quando um camião foi lançado contra a multidão.

Em Moscovo, pelo segundo ano consecutivo, a Praça Vermelha estará fechada ao público. Só seis mil convidados estarão autorizados a entrar na praça para festejar a Passagem de Ano ao som dos sinos do Kremlin.

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