China furiosa com EUA, promete defender a "soberania territorial"

Pequim ameaça responder a novas "ações provocadoras" depois de navio de guerra americano ter passado junto às Spratly

Para os EUA foi apenas uma "operação de rotina", mas para a China, a passagem do destroyer USS Lassen junto às Spratly, umas ilhas disputadas no mar do Sul da China, é "ilegal" e uma clara "ameaça à soberania chinesa". Por isso Pequim deixou o alerta: irá "responder de forma resoluta a qualquer país que empreenda ações provocadoras deliberadas".

Equipado com mísseis teleguiados, com o sistema de defesa Aegis e com dois helicópteros Seahawk a bordo, o USS Lassen entrou nas 12 milhas náuticas que a China reivindica em torno das Spratly, ao abrigo da lei marítima internacional. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês garantiu que o navio de guerra foi devidamente avisado, mas insistiu num ato que "ameaça a soberania da China". E o porta-voz Lu Kang garantiu que "se os EUA continuarem a criar tensões na região", Pequim pode concluir que deve "reforçar as suas capacidades".

Mas as ameaças chinesas não parecem assustar os americanos, com o Departamento de Defesa a anunciar que as patrulhas naquela zona irão prosseguir nas próximas semanas. "Vai ser uma ocorrência regular, não um acontecimento único", garantiu à Reuters fonte do Pentágono, acrescentando que as próximas missões passarão junto a ilhas cuja soberania é reclamada por Vietname ou Filipinas. "Não é exclusivo para a China", explicou.

Cada vez mais virados para a Ásia, ao insistir nestas patrulhas, os EUA procuram afirmar a sua influência numa região essencial para o tráfico marítimo mundial - anualmente passam por ali cinco biliões do comércio mundial.

Em disputa

Pequim reclama a soberania sobre a maior parte do mar do Sul da China, onde as ilhas Spratly, Paracel e o recife de Scarborough são disputadas por outros países da região. Tudo porque as águas à sua volta são potencialmente ricas em petróleo. Os recifes, que se encontravam submersos, foram transformados em ilhas pela China, graças a um gigantesco projeto de dragagem iniciado em 2013.

De acordo com a lei marítima internacional, os países podem reclamar as 12 milhas náuticas à volta das suas ilhas naturais. Um direito que não se aplica se tiver havido intervenção humana.

As autoridades chinesas garantem que os trabalhos nas ilhas são legais e num encontro com Barack Obama, em setembro, em Washington, o presidente Xi Jinping garantiu não ter intenções de militarizar as ilhas. Mas os EUA estão convictos de que a China está a construir ali instalações militares, de forma a reforçar o seu domínio marítimo (apesar do aumento de 10% no seu orçamento militar em 2015, a China só tem um porta-aviões, o Liaoning, antes ao serviço da União Soviética e agora remodelado) sobre uma região disputada por China, Malásia, Filipina, Vietname ou Taiwan (República da China). Os críticos acusam ainda Pequim de estar a construir aeródromos nas ilhas sob o seu domínio (ver info).

A China garante que o seu direito sobre as ilhas Spratly e Paracel remonta a vários séculos e detalha as suas reivindicações num mapa de 1947. Uma reivindicação partilhada por Taiwan - para onde em 1949 fugiram os nacionalistas de Chiang Kai-shek após a derrota frente aos comunistas de Mao Tsé-tung e que hoje é vista como província rebelde por Pequim.

O Vietname é um dos países que mais questiona as reivindicações chinesas, garantindo ter documentos que provam o seu domínio sobre as Paracel e as Spratly desde o século XVII. Já as Filipinas usam a proximidade geográfica com as ilhas « para justificar a sua soberania. Enquanto a Malásia também reivindica algumas das ilhas do arquipélago.

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