Chamam-lhes os "Beatles do Daesh". Começaram a ser julgados nos EUA

Conhecidos pela crueldade e violência dos ataques, foram corresponsáveis pela tortura e decapitação de mais de 27 reféns, na Síria e no Iraque. Alcunha foi dada por um jornalista em cativeiro, devido ao sotaque britânico dos carcereiros.

Dois membros do autointitulado grupo Estado Islâmico (Daesh), Alexanda Kotey e El Shafee Elsheikh, a quem os reféns chamavam de Beatles, devido ao sotaque britânico, começaram a ser julgados esta semana nos EUA. Tal como o famoso grupo musical de Liverpool, estes "Beatles" eram quatro. Um deles foi morto por um drone americano e o outro está preso na Turquia.

Segundo Nicolas Hénin, ex-jornalista francês, foi John Cantlie, correspondente de guerra e "grande fã de Rock'n Roll", o autor da alcunha, embora fosse frequente os reféns inventarem nomes para os seus captores. "Desde o primeiro dia, sozinho na minha cela, dei apelidos aos meus carcereiros. Era uma forma de quebrar o anonimato e ridicularizá-los. Faz parte dos reflexos de sobrevivência do refém", confessou o agora consultor de contraterrorismo, à AFP.

Pouco se sabe sobre eles, além da notoriedade dos crimes que cometeram em nome do grupo Estado Islâmico (EI). O mais conhecido do grupo foi Mohamed Emwazi, vulgo "Jihadi John", que aparece em vários vídeos cruéis e que foi morto por um drone americano em novembro de 2015. Aine Lesley Davis ("Paul") foi preso na Turquia a 13 de novembro de 2015 e já condenado a sete anos e meio de prisão por crimes de terrorismo.

Detidos no Iraque, Alexanda Amon Kotey ("Ringo") e El Shafee el-Sheikh ("George") acabam agora numa prisão dos Estados Unidos. Os dois homens compareceram num tribunal federal da Virgínia na última quarta-feira, acusados de "ofensas terroristas e assassínio de quatro norte-americanos, assim como de cidadãos da Grã-Bretanha e do Japão", segundo o procurador-geral adjunto para segurança nacional, John Demers.

Kotey e Elsheikh estarão, alegadamente, envolvidos nos assassinatos dos jornalistas norte-americanos James Foley e Steven Sotloff e dos trabalhadores humanitários Peter Kassig e Kayla Mueller.

Conhecidos pela crueldade e violência dos ataques, os "Beatles do Daesh" serão corresponsáveis pela captura, tortura e decapitação de mais de 27 reféns, na Síria e no Iraque. Os sobreviventes relataram ameaças com "armas na cabeça, espadas na garganta, espancamentos, tortura elétrica" (e execuções filmadas, segundo os pesquisadores).

Foi assim que construíram uma sólida reputação no califado do EI e garantiram uma ligação direta com o porta-voz, Abu Mohamad al-Adnani, e com o "califa", o iraquiano Abu Bakr al-Baghdadi. "Eles beneficiaram do status de celebridade. Eram portadores de uma mística de bad boys que motivou alguns indivíduos a ingressarem no grupo", segundo explicou à AFP Dan Byman, professor e especialista em jihadismo na Universidade Georgetown em Washington.

Se forem condenados poderão ir para Guantánamo. A ideia foi defendida por Trump e levou mesmo a Grã-Bretanha a bloquear a partilha de informação sobre os jihadistas com as autoridades americanas. Certo é que os Estados Unidos não vão pedir a aplicação da pena de morte, segundo o chefe da diplomacia norte-americano, Mike Pompeo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG