Rajoy quer executivo regional viável e que "cumpra a lei"

Primeiro-ministro espanhol manifestou ainda a esperança de que surja um governo catalão que cumpra as condições de viabilidade e obedeça à legislação

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, advertiu esta segunda-feira em Vigo que a Catalunha tem de ter um governo "viável e não inviável", "que cumpra a lei" e que seja "capaz de dialogar a sério".

O chefe do executivo espanhol fez estes avisos ao mesmo tempo que manifestou a esperança que "em breve haja um Governo [catalão]" que cumpra aquelas condições de viabilidade e respeite a lei.

"A Catalunha tem de recuperar a normalidade institucional, económica e social", insistiu Rajoy, assegurando que Madrid fará tudo para que isso seja possível.

Rajoy não fez qualquer referência à provável decisão de manter ativo o artigo 155.º da Constituição espanhola, que dá a base legal para que Madrid continue a intervir diretamente na governação da Catalunha

O novo presidente da Generalitat (governo regional catalão), Quim Torra, que tomou posse na semana passada, pretende incorporar no seu executivo dois ex-conselheiros (ministros regionais) em prisão preventiva, Jordi Turull e Josep Rull, e outros dois exilados na Bélgica, Antoni Comín e Lluís Puig, o que é considerado "uma grave provocação" por parte de Madrid.

O Governo central publicou esta segunda-feira o decreto-lei de criação, denominação e determinação de competências dos departamentos da Generalitat, mas foi omisso na nomeação dos novos conselheiros, apesar da insistência de Quim Torra.

O executivo central anunciou na semana passada que poderia manter a aplicação do artigo 155.º na Catalunha, depois de Mariano Rajoy ter assegurado o apoio do PSOE (socialistas) e do Cidadãos (direita liberal)

O novo presidente do Governo regional catalão está esta segunda-feira a fazer uma ronda de contactos em várias prisões próximas de Madrid para visitar os ex-conselheiros Oriol Junqueras, Joaquim Forn, Raul Romeva, Josep Rull e Jordi Turull, assim como outros independentistas que estão presos.

Quim Torra foi indicado por Carles Puigdemont, que fugiu para a Alemanha e aguarda uma decisão sobre o mandado europeu de detenção emitido pela justiça espanhola, que pede a sua extradição para o julgar.

A nomeação de Torra pôs fim ao impasse político, que durou quase cinco meses, resultante das eleições regionais de 21 de dezembro, nas quais os partidos independentistas voltaram a ter uma maioria no parlamento da Catalunha

No discurso que fez há uma semana, quando foi confirmado pelo parlamento catalão, Quim Torra voltou a sublinhar que Carles Puigdemont é o "presidente legítimo" do governo regional da Catalunha e prometeu ser "leal ao mandato" para "construir um Estado independente em forma de República".

Torra, um editor de 55 anos, entrou na política em dezembro passado quando foi eleito deputado regional na lista "Juntos pela Catalunha", formada por Carles Puigdemont.

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