Justiça espanhola indicia mais seis personalidades independentistas

Estas seis pessoas juntam-se aos 22 políticos e ativistas catalães já acusados pelo seu envolvimento no processo independentista

O Supremo tribunal espanhol revelou hoje que vai acusar mais seis personalidades independentistas catalãs por rebelião, sedição e suspeitas de corrupção, um dia após a vitória dos partidos independentistas nas eleições regionais.

Numa decisão divulgada pela agência noticiosa France-Presse (AFP), o juiz de instrução Pablo Llarena decidiu designadamente alargar o seu inquérito a Marta Rovira, que foi eleita deputada: Rovira é a segunda dirigente da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), cujo presidente Oriol Junqueras está na prisão.

Artur Mas, o antecessor de Carles Puigdemont na chefia do governo regional, punido com dois anos de inelegibilidade por ter organizado em 2014 uma consulta sobre a independência, também será alvo de um inquérito, à semelhança de Marta Pascal, a dirigente do seu partido.

Nos novos indiciamentos judiciais surgem ainda dois ex-deputados do partido independentista de extrema-esquerda CUP, Anna Gabriel e Mireia Boya, e a presidente da Associação dos municípios pela independência, Neus Lloveras.

Estas seis pessoas juntam-se aos 22 políticos e ativistas catalães já acusados pelo seu envolvimento no processo independentista, que culminou em 27 de outubro com o voto de uma declaração unilateral de independência no parlamento regional, e motivando a resposta inédita do Governo central que colocou a Catalunha sob tutela.

Entre os indiciados incluem-se 14 membros do governo destituído de Carles Puigdemont e dois presidentes de associações independentistas, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart. Os dois últimos estão detidos com os ex-membros do governo, Oriol Junqueras e Joaquim Forn.

Na sua decisão o juiz explica que, segundo um inquérito da Guardia Civil, todos participaram em reuniões destinadas a "conceber e elaborar o processo de rutura" da região com a Espanha. São ainda suspeitos de participar num "comité estratégico" que teria dirigido a marcha em direção à independência.

Fonte judicial explicou à AFP que o juiz deve ainda detalhar as acusações que emitiu em direção aos novos indiciados.

Na quinta-feira, na sequência as eleições regionais antecipadas, os partidos independentistas renovaram a maioria absoluta no parlamento catalão (70 dos 135 lugares).

Três dos quatro líderes sob detenção foram eleitos deputados, para além de Carles Puigdemont, que escapou às perseguições judiciais e se refugiou na Bélgica. Acusado de rebelião, sedição e peculato, será detido caso decida regressar a Espanha.

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