Dezenas de milhares nas ruas contra decisão de Madrid

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se esta tarde em Barcelona

O presidente do Governo regional, Carles Puigdemont, todos os membros do seu executivo e outros dirigentes regionais catalães estiveram na concentração com o lema "Em defesa dos direitos e liberdades".

Os presentes gritaram palavras de ordem a pedir a "independência" e a "liberdade" da Catalunha e tinham bandeiras e cartazes a condenar aquilo que consideram ser uma atitude contra os valores democráticos por parte de Madrid.

A manifestação foi inicialmente marcada para pedir a libertação dos líderes das associações ANC (Assembleia Nacional Catalã) e Òmnium Cultural, que defendem a independência da Catalunha.

Jordi Sánchez e Jordi Cuixart foram presos na passada segunda-feira depois de o Ministério Público os acusar de terem incitado manifestantes a atos violentos contra agentes do Estado.

A decisão tomada esta manhã pelo Governo espanhol de propor a ativação do artigo 155.º da Constituição para repor a legalidade institucional da Catalunha acabou por alargar o âmbito da concentração

Madrid quer a destituição do presidente da Catalunha e de todos os membros do seu executivo, limitar as competências do parlamento regional e marcar eleições num prazo de seis meses na região.

Carles Puigdemont faz hoje às 21:00 (20:00 de Lisboa) uma intervenção televisiva, onde deverá responder à decisão de Madrid.

As medidas avançadas deverão ser aprovadas definitivamente pelo senado espanhol (câmara alta) na próxima sexta-feira, 27 de outubro.

Rajoy aciona artigo 155º. Eleições no prazo máximo de seis meses

Mariano Rajoy iniciou às 13:25 (12:25 em Lisboa) uma conferência de imprensa para apresentar as medidas concretas para "recuperar legalidade, voltar à normalidade e à convivência, continuar a recuperação da economia e celebrar eleições" na Catalunha. Nesta comunicação, indicou: "Não suspendemos a autonomia nem o governo da Generalitat". Segundo explicou, a Generalitat estará sob as ordens de novas autoridades designadas pelo Governo de Espanha.

Madrid propõe o afastamento do atual presidente catalão, Carles Puigdemont, e o seu gabinete com as suas responsabilidades a passarem a ser assumidas pelos respetivos ministérios setoriais em Madrid.

A intervenção do Estado espanhol na Catalunha prevê que Madrid passe a controlar diretamente a polícia e a televisão regionais, que considera estarem nas mãos dos movimentos separatistas.

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