Arrimadas duvida que independentistas consigam acordo para formar governo

A candidata do partido Cidadãos na Catalunha venceu as eleições, mas não tem maioria

A candidata do partido Cidadãos na Catalunha, Inés Arrimadas, manifestou hoje dúvidas de que os independentistas consigam chegar a acordo para formar governo, apesar de terem a maioria absoluta dos deputados no parlamento regional.

Numa entrevista à rádio Onda Cero, a candidata, que venceu as eleições, mas não tem maioria para formar governo, afirmou que as eleições mostram que a crise que se vive na região "não é um problema entre a Catalunha e Espanha, mas sim entre catalães".

Arrimadas manifestou a sua satisfação pela vitória do Cidadãos (unionista, direita liberal), com 37 assentos no parlamento, e disse não esperar que as restantes forças constitucionalistas conseguissem "uma posição tão baixa" (17 lugares para o Partido Socialista da Catalunha e três para o Partido Popular do primeiro-ministro Mariano Rajoy).

"Ganhámos claramente em votos, mas os independentistas voltam a repetir uma maioria, embora com menos força", disse a dirigente do Cidadãos, para quem "o processo não acabou" na quinta-feira e "o caminho vai ser um bocadinho mais longo".

Insistiu que "o independentismo sai destas eleições muito tocado" e alertou que "isto é uma corrida de fundo".

Os partidos que defendem a independência da Catalunha obtiveram nas eleições autonómicas de quinta-feira uma maioria absoluta no parlamento catalão e prometem manter o desafio secessionista a Madrid.

Nas eleições, os partidos independentistas obtiveram 70 dos 135 lugares do parlamento, um número que sobe para 78 lugares se forem contabilizados os defensores de um novo referendo legal (partidos independentistas mais CatComú-Podem).

No entanto, o partido vencedor das eleições foi o Cidadãos, mas a cabeça de lista, Inés Arrimadas, admitiu que não poderá ser chefe do governo regional, considerando a "lei injusta" que "dá mais lugares a quem tem menos votos" na rua.

As eleições foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, no final de outubro, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional presidido por Carles Puigdemont por ter declarado unilateralmente a independência da região.