Casa Branca retira credenciais a vários jornalistas

Regras restritivas de acesso de jornalistas à Casa Branca geram polémica

"A Casa Branca acabou de revogar a acreditação que tinha há mais de 21 anos como parte da sua repressão no acesso dos jornalistas". A denúncia é de Dana Milbank, um cronista do The Washington Post. Mas não é o único a ser afetado pelas novas regras impostas pela Administração de Donald Trump no acesso dos jornalistas à Casa Branca. O veterano Milbank caracteriza esta ação como sendo uma "purga massiva".

Em Washington são vários os profissionais da comunicação social que ficaram sem as suas acreditações por não cumprirem as novas regras impostas pela Casa Branca. Milbank alerta para o facto de existir "algo de errado quando um presidente tem o poder de decidir quais são os jornalistas" que podem fazer a cobertura das suas ações.

"Comportamento revoltante por esta administração. A Casa Branca revogou a minha acreditação. Não sou só eu - está a restringir o acesso a todos os jornalistas", acusou também Glenn Kessler, outro colunista do Washington Post, numa publicação no Twitter.

Com as novas imposições, "praticamente toda a imprensa que faz a cobertura da Casa Branca é acreditada com 'exceções'", critica Milbank, que aponta o dedo à porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

As novas regras afetam sobretudo os jornalistas que têm as credenciais que permitem um acesso mais abrangente à Casa Branca, um "hard pass". Para o obterem, informou Sanders num email ​​​​​​​do gabinete de imprensa, é necessário que os jornalistas trabalhem fisicamente a partir da Casa Branca 90 dias ou mais mais num período de 180 dias. Os profissionais da comunicação social podem pedir pedir acreditações de seis meses se estiverem a trabalhar pelo menos 60 dos 180 dias estipulados.

As regras não contemplam viagens, fins de semanas ou férias, mas os correspondentes seniores podem pedir uma acreditação excecional.

Novas regras depois da polémica com o jornalista da CNN Jim Acosta

A porta-voz da Casa Branca defende as novas regras justificando-as como sendo uma decisão dos serviços secretos que se manifestaram preocupados com a segurança devido ao número de "hard passes". "Ninguém está a ter o seu acesso limitado", explicou Sarah Sanders ao The Washington Post.

Perante esta nova realidade, os correspondentes da Casa Branca alertam que a administração de Donald Trump está a tentar ter um controlo mais apertado sobre os jornalistas, depois da polémica que envolveu o repórter da CNN Jim Acosta e o presidente dos EUA. Em novembro do ano passado, Acosta foi banido da Casa Branca depois de se ter recusado a devolver o microfone durante uma conferência de imprensa. O jornalista viu a sua acreditação ser suspensa depois de uma tensa troca de palavras com Donald Trump.

Aliás, este não foi um incidente isolado. O presidente dos EUA já expulsou jornalistas de conferências de imprensa, ridicularizou-os nas redes sociais, acusando-os de serem o "inimigo do povo".

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