"Cabeças pretas" do PSDB querem abandonar Temer

Ala jovem e maioritária do grupo parlamentar do partido pressiona cúpulas

Apesar das notícias animadoras na economia, dando conta do crescimento do PIB em um ponto percentual pela primeira vez após oito trimestres seguidos de queda, a crise política no Brasil continua a acentuar-se de dia para dia. Os "cabeças pretas" do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), assim chamados por serem a ala mais jovem do partido e por isso não terem cabelos brancos, pressionam as cúpulas no sentido de abandonarem já o governo liderado pelo investigado Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Um grupo de 27 deputados, do total de 46 que compõem o grupo parlamentar do partido na Câmara dos Deputados, defende a saída do governo no dia 6 de junho, data em que Temer começa a ser julgado no Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder económico na campanha de 2014. O veredicto da corte só deve ser conhecido numa sessão posterior, a realizar-se ao longo deste mês, mas os "cabeças pretas" não querem esperar. O grupo acredita poder contar com o apoio da câmara alta do Congresso Nacional, através de cinco dos 11 senadores "tucanos", como são conhecidos os membros do PSDB. Juntos, pedem aos quatro ministros em funções que militam no partido para se demitirem.

"Sou a favor da entrega dos cargos, mas apoio as reformas laboral e da Segurança Social", confirmou o deputado Daniel Coelho, de 38 anos. "Vamos fazer reuniões sobre se vamos desembarcar ou não, ainda não sabemos", disse Ricardo Tripoli, o líder parlamentar do PSDB, que confirma que os deputados estão divididos em grupos. Um deles, o das cúpulas (dirigentes com mais cabelos brancos), deseja ficar, ou ir ficando, no governo. Esse grupo é liderado pelo presidente Tasso Jereissati, 68 anos, que substituiu o investigado Aécio Neves no cargo.

Quatro partidos de esquerda discutem a possibilidade de apoiar declaradamente Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, em eleições indiretas, no caso de Temer cair. Apesar de Maia ser do Democratas, força mais à direita do Parlamento, aqueles partidos querem ver um deputado a assumir o Palácio do Planalto. Desse modo, desde que Maia demonstre mais moderação no seu discurso pró-reformas laboral e da Segurança Social, aceitam entregar-lhe os seus 98 votos, de um universo de 513 deputados. Até agora, Maia, que pela Constituição herda a presidência em caso de vaga, tem dito que apoia a continuidade do aliado Temer, embora admita avaliar cenários.

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