Brown pede às mães britânicas que votem para ficar na UE

Ex-primeiro-ministro britânico, trabalhista, Gordon Brown alertou para os riscos do brexit e disse que pertença ao mercado único europeu ainda pode criar 500 mil empregos

Gordon Brown deixou ontem um apelo às mães britânicas para que votem a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia no referendo de 23 de junho. "Às mães preocupadas com o futuro dos seus filhos e querem saber de onde virão os empregos para eles, aos que acham que a globalização é um comboio fora de controlo, temos de mostrar que somos capazes de gerir isto. É importante que votemos pela permanência na UE para conseguir o que queremos", disse o ex-primeiro ministro britânico (que esteve em Downing Street entre 2007 e 2010).

Brown, de 65 anos, fez estas declarações durante um discurso de 45 minutos que realizou na conferência de verão da Fabian Society (organização ligada ao Labour). Afastado da política ativa, o também ex-ministro das Finanças é um dos trabalhistas que mais tem erguido a voz para alertar contra os riscos de um brexit (saída dos britânicos da União Europeia). Isto apesar de o atual líder do Labour ser Jeremy Corbyn. Esta não é a primeira vez que o ex-primeiro-ministro tenta ter um papel determinante num referendo: em 2014, quando o líder dos trabalhistas britânicos era Ed Miliband, Brown, que é escocês de origem, interveio na campanha com um discurso fortíssimo sobre os riscos de uma Escócia independente. A ele atribuíram muitos a viragem no resultado da consulta escocesa: o "Não" acabou por vencer depois de várias sondagens terem apontado para a vitória do "Sim" à independência.

No discurso que ontem fez, Brown apelou também ao voto dos jovens. E deixou uma longa pergunta aos britânicos: "Se decidirmos separar-nos dos nossos vizinhos, se recusarmos cooperar em matéria económica e noutros assuntos vitais para o nosso futuro, se negarmos aos jovens do nosso país a oportunidade de fazerem planos para o futuro porque estamos a quebrar laços com os países que nos são mais próximos, então que tipo de mensagem vamos estar a enviar ao mundo, sobre o mundo que vamos construir no futuro, se não pudermos cooperar com os nossos vizinhos mais próximos?" Segundo o ex-ministro das Finanças de Tony Blair a pertença ao mercado único europeu ainda pode criar 500 mil novos empregos para os britânicos.

Do lado do governo, quem mais tem dado a cara pela campanha da permanência na UE têm sido o primeiro-ministro David Cameron e o ministro das Finanças George Osborne. "Se nós sairmos da UE haverá um choque económico imediato nos mercados financeiros", disse ontem Osborne à BBC. "As pessoas não saberão mais como será o futuro e, a longo prazo, o país e as pessoas do país serão mais pobres. Isso afetará o valor das casas e uma análise das Finanças mostra que haverá um impacto de 10% a 18% no valor das casas. Em paralelo, quem comprar casa pela primeira vez será mais afetado porque o valor das hipotecas aumentará e os empréstimos serão muito mais difíceis de conseguir. Será uma situação em que ficaremos sempre a perder", sublinhou, em tom alarmista, aquele que é um dos prováveis sucessores de Cameron à frente da liderança conservadora e em Downing Street.

O outro candidato à sucessão do atual chefe do governo é o ex-presidente da Câmara de Londres, o conservador Boris Johnson, que tem andado de autocarro pelo país a fazer campanha pelo brexit. Para isso tem usado todo o tipo de argumentos e, no limite, chegou a comparar a UE a Hitler e acusar cameron de transformar o Reino Unido numa "república das bananas". Mas Boris, como é conhecido, não é a única voz dissonante no interior dos conservadores britânicos. Ian Duncan Smith, ex-ministro do Trabalho e da Segurança Social, é outro dos exemplos. O seu alvo preferencial tem sido Osborne: quando se demitiu do governo disse que era por causa dos cortes nos apoios a deficientes previstos no Orçamento por ele apresentado. Ontem comparou-o ao Pinóquio, por causa das afirmações sobre as casas. "Quando ouço isto penso no nariz do Pinóquio a crescer", afirmou, em declarações à Sky News.

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