Britânicos foram os primeiros a detetar ligações entre Trump e a Rússia

Estados Unidos foram lentos a lidar com a informação que receberam dos aliados, avança o 'The Guardian' em exclusivo

Os espiões britânicos foram os primeiros a detetar contactos suspeitos entre a equipa de campanha presidencial de Donald Trump e agentes da inteligência russa. Informações sobre estas interações foram depois enviadas para Washington, mas os Estados Unidos foram lentos a processar e compreender a extensa natureza dos contactos.

Segundo avança em exclusivo o The Guardian, as primeiras interações suspeitas entre figuras ligadas ao agora presidente Donald Trump e agentes dos serviços secretos russos, ou suspeitos de pertencerem às forças de inteligência de Moscovo, foram detetadas em 2015.

Os serviços de inteligência britânicos GCHQ passaram essa informação aos Estados Unidos e nos meses que se seguiram agências de inteligência de vários outros países relataram descobertas semelhantes.

Até ao verão de 2016, uma série de nações tinha alertado Washington sobre contactos entre o círculo de pessoas próximas a Trump e aos russos, entre os quais a Alemanha, a Estónia, a Polónia, a Austrália, a França e a Holanda.

Segundo o The Guardian, o FBI e a CIA foram lentos a perceber a natureza extensa dos contactos e não foram ágeis ao lidar com as informações que recebiam de várias fontes.

"Parecia que as agências [norte-americanas] estavam a dormir", denunciou a fonte citada pelo The Guardian. "Elas [as agências europeias] estavam a dizer: 'Há contactos entre pessoas próximas a Trump e pessoas que acreditamos serem agentes da inteligência russa. Vocês têm de ficar atentos a isto'".

A resposta dos Estados Unidos pode ser justificada, em parte, pela proibição na lei de agências norte-americanas espiarem os seus cidadãos sem um mandado judicial. "Eles são treinados para não o fazer", continuou a fonte.

Em março deste ano, Donald Trump acusou Obama de o ter posto sob escuta antes das eleições presidenciais. Pouco depois, o porta-voz da Casa Branca Sean Spicer afirmava que Obama usou espiões britânicos - a GCHQ - para espiar Trump para "garantir que não havia pistas norte-americanas".

O GCHQ prontamente classificou esta acusação de ridícula e admitiu, ao invés, ter tido um importante papel no início da investigação do FBI sobre ligações entre Trump e Rússia.

No verão de 2016, Robert Hannigan, que era na altura diretor do GCHQ, passou material confidencial sobre a ligação entre a equipa de Trump e os russos para as mãos do diretor da CIA, John Brennan.

Meses depois, em agosto e setembro, Brennan deu uma série de informações a membros escolhidos do congresso norte-americano e disse ter provas de que Moscovo poderia estar a tentar ajudar Donald Trump a ganhar as eleições.

Brennan não revelou as fontes mas mencionou que agências de inteligência aliadas aos Estados Unidos tinham fornecido as informações. Foi deste modo que Trump soube do papel da GCHQ na investigação.

O jornal britânico afirma que não foi a intenção de GCHQ montar uma operação de vigilância a Donald Trump a ou a membros da sua equipa. As informações e conversas que a agência inglesa obteve foram descobertas ao acaso, durante operações de vigilância de rotina a certos membros da inteligência russa.

Serviços de inteligência de outros países que investigavam os mesmos cidadãos russos encontraram estas ligações suspeitas e, após terem identificado um padrão, apresentaram-nos aos Estados Unidos.

As fontes do The Guardian referem ainda que os Estados Unidos "entraram tarde no jogo" e referem a mudança de atitude do diretor do FBI, James Comey, após as eleições.

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