Ryanair alerta que "má saída" pode trazer "o caos" à aviação

Empresa teme que venham a acontecer "interrupção de voos por dias, semanas e meses após abril de 2019"

A companhia aérea Ryanair alertou hoje que uma "má saída" do Reino Unido da União Europeia ('brexit') pode trazer "o caos" à aviação, e exigiu ação do Governo britânico para negociar questões como a regulação do espaço aéreo.

"Há o risco de, se estas negociações correrem mal, haja um 'brexit' difícil, que causará interrupção de voos por dias, semanas, meses após abril de 2019", data prevista para a concretização da saída, disse à agência Lusa o diretor executivo da Ryanair, Michael O'Leary.

Segundo o responsável, que falava após uma conferência de imprensa sobre o horário de inverno da Ryanair, em Lisboa, esta situação "seria o caos", razão pela qual instou o Governo britânico a "lidar com estes assuntos, enquanto, até agora, tem passado 18 meses a evitá-los".

Michael O'Leary notou que a Ryanair está "muito preocupada" com esta situação e considerou que "as outras companhias [como a easyJet, que tem sede no Reino Unido] também deveriam estar".

Caso as negociações corram mal, "as companhias não serão livres para voar", levando a que, por exemplo, "todos os voos da easyJet desde Lisboa, do Porto e de outros países europeus fiquem em terra".

"Isto é muito sério e o problema é que a aviação, mais do que outro setor, necessita de regulação no espaço aéreo para poder funcionar, existindo ainda restrições de propriedade", destacou Michael O'Leary.

"Nós esperamos que isso não aconteça, mas o Governo britânico necessita de se começar a mexer e a pôr em marcha as conversações com a União Europeia", ressalvou o responsável, lembrando que o Reino Unido "não pode" dizer que pretende sair e ficar com os mesmos benefícios dos Estados-membros.

O Reino Unido está atualmente a negociar a saída da União Europeia, dispondo de um prazo de dois anos, a contar da data em que acionou formalmente o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, em março do ano passado.

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