Deputado da Irlanda do Norte alerta para o perigo de um Brexit sem acordo

O chefe da função pública na Irlanda do Norte, David Sterling, alertou esta quarta-feira para as graves consequências de um Brexit sem acordo, antevendo um aumento acentuado do desemprego e um êxodo de empresas para a República da Irlanda.

"As consequências de falências de empresas como resultado de uma saída de sem acordo, combinadas com mudanças na vida quotidiana e potenciais atritos nas fronteiras, podem ter um impacto profundo e duradouro na sociedade", afirmou David Sterling, chefe da função pública na Irlanda do Norte, numa uma carta aos líderes políticos da Irlanda do Norte.

Sammy Wilson, deputado do Partido Democrata Unionista (DUP) da Irlanda do Norte, respondeu acusando Sterling de ter "motivações políticas" e qualificou a carta de "uma tática para assustar".

"Não quero saber se ele é o chefe da função pública ou o Pai Natal, não importa. O que interessa é que ele está errado", afirmou, durante uma sessão da comissão parlamentar para a Irlanda do Norte, invocando vários estudos sobre o impacto de uma saída sem acordo.

Wilson disse que uma saída sem acordo seria melhor do que o acordo alcançado entre o Governo britânico e a União Europeia porque, alegou, separa a economia da região do resto do Reino Unido e impediria a participação em acordos comerciais com países terceiros.

O DUP opõe-se à solução de último recurso para manter aberta a fronteira entre as Irlandas.

Este mecanismo de salvaguarda, conhecido como backstop, pretende evitar o regresso de uma fronteira física entre a República da Irlanda, Estado-membro da UE, e a província britânica da Irlanda do Norte, e consiste na criação de "um território aduaneiro único" entre a UE e o Reino Unido.

O backstop só seria ativado caso a parceria futura entre Bruxelas e Londres não ficasse fechada antes do final do período de transição, que termina em 31 de dezembro de 2020, e que poderá ser prolongado uma única vez por uma duração limitada.

Wilson alegou que 60% das leis aplicáveis às empresas seriam europeias e não britânicas porque a Irlanda do Norte ficaria sujeita a regras do mercado único que não se aplicariam ao resto do Reino Unido.

O DUP apoia o governo de Theresa May, garantindo uma maioria do partido Conservador na Câmara dos Comuns, pelo que um voto contra o acordo pode dificultar ou impedir a aprovação.

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