Brexit: Gordon Brown acredita que haverá um segundo referendo

O ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown afirmou hoje estar convicto de que o Reino Unido terá um segundo referendo sobre brexit, numa altura em que as negociações para finalizar a saída britânica da União Europeia (UE) estão num impasse.

"Não posso dizer quando isso irá ocorrer, mas acredito que haverá um referendo em algum momento", afirmou o político trabalhista, numa intervenção na sede do think tank (grupo de reflexão) Institute for Government, citada pelas agências internacionais.

O Reino Unido vai deixar a União Europeia a 29 de março de 2019, dois anos após o lançamento oficial do processo de saída, e quase três anos depois do referendo de 23 de junho de 2016 que viu 52% dos britânicos votarem a favor do brexit.

Gordon Brown, primeiro-ministro do Reino Unido entre 2007 a 2010, argumentou hoje que "a situação mudou" desde a consulta pública de 2016 e, como tal, os cidadãos "devem ter o direito de ter a última palavra".

Londres e Bruxelas estão a tentar finalizar por estes dias um acordo que defina as condições da saída britânica do bloco comunitário, mas as negociações estão a atravessar um impasse e os progressos não estão a ser visíveis.

Hoje, o principal negociador da UE para o brexit, Michel Barnier, informou os 27 de que ainda não foi alcançado um acordo para a saída do Reino Unido do bloco comunitário, apesar de intensos esforços negociais.

"Michel Barnier explicou que prosseguem os intensos esforços negociais, mas que um acordo ainda não foi alcançado. Há pontos essenciais que permanecem em discussão, em particular a solução para evitar uma fronteira rígida entre a Irlanda e a Irlanda do Norte", indicou uma nota do Conselho dos Assuntos Gerais.

Os ministros e os secretários de Estado dos Assuntos Europeus, reunidos hoje em Bruxelas, insistiram que é necessário continuar a trabalhar para antecipar "qualquer cenário".

A fação mais eurocética do Partido Conservador britânico, força política da primeira-ministra Theresa May, tem-se mostrado insatisfeita com o rumo das negociações com Bruxelas e ameaça votar contra um eventual pacto no Parlamento britânico, o que poderia obrigar o Reino Unido a deixar a UE sem um acordo.

Na semana passada, um outro ex-primeiro-ministro britânico reiterou, em Lisboa, a sua oposição ao brexit.

"Sou 100% contra o brexit, irei fazer tudo para o impedir. Aliás, é possível travá-lo. Não é do nosso interesse político nem económico, vai enfraquecer a Inglaterra e a Europa", afirmou Tony Blair, numa intervenção na cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit na passada quarta-feira na capital portuguesa.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG