Como a idade, educação e classe influenciaram os resultados

Uma análise às diferenças demográficas dentro do Reino Unido mostra como os votos variaram e porquê

As características demográficas do Reino Unido foram essenciais para os resultados do referendo de quinta-feira. As sondagens já mostravam que as pessoas com mais de 60 anos estavam mais inclinadas a optar pelo brexit mas, para além da idade, outros fatores se revelaram cruciais no referendo.

O brexit, saída do Reino Unido da União Europeia, ganhou com 51.9%, com 17,41 milhões de votos e os jovens foram os maiores perdedores. Segundo uma sondagem da YouGov, 75% dos britânicos que votaram na permanência do Reino Unido na UE tinham entre 18 e 24 anos. O The Guardian refere ainda que parte significativa dos jovens que não tinham idade mínima para votar eram contra o brexit.

75% dos britânicos que votaram na permanência do Reino Unido na UE tinham entre 18 e 24 anos

Fazendo uma sobreposição dos dois aspetos, as áreas onde há um maior número de pensionistas e de pessoas com mais de 60 anos foram as áreas onde o brexit teve mais votos.

As intenções de voto antes do referendo, divulgadas pela YouGov, deixavam clara a ligação.

A idade dos eleitores foi dos fatores mais mencionados após a divulgação dos resultados.

Os dados revelam ainda, que quanto maior era o nível de formação, maior era o apoio à permanência na UE. Pessoas com formação superior - licenciaturas, mestrados e/ou doutoramentos - votaram mais contra o brexit do que as pessoas com uma formação equivalente ao ensino secundário.

A classe social não ficou de parte. O voto pelo brexit foi maior nas áreas onde a população pertence principalmente à classe trabalhadora ou desempregada que depende das ajudas do estado. São pessoas com trabalhos não especializados, ou semi-especializados, pensionistas ou que têm trabalhos informais ou precários. Esta análise é feita com base nos rendimentos anuais médios de cada trabalhador.

Além disso, a decisão de ficar ou sair da UE também foi influenciada pelo número de imigrantes na área de residência dos votantes. As áreas com maior população imigrante do sudeste da Inglaterra e de Midlands, fortemente afetadas pela imigração, segundo o The Telegraph, foram as que mais votaram a favor do brexit. A campanha pela saída da UE referia-se às leis de imigração como um dos aspetos a mudar no país sem a intervenção da Europa.

Por outro lado, os filhos de imigrantes votaram principalmente a favor da permanência na UE. Em Londres, uma área onde pessoas de várias origens se cruzam todos os dias, 60% da população votou no 'remain'.

Siga o brexit, minuto a minuto

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG