'Bolsominion' versus 'Malddad', os memes da campanha

"São construções que surgem para tentar humilhar o adversário, mas percebo que depois o próprio ofendido tenta colocar uma carga positiva no termo, explica um linguista

Os principais candidatos que disputam as presidenciais do Brasil são alvo de brincadeiras e ofensas propagadas na internet por opositores, desde o uso de notícias falsas a apelidos maldosos, como "Bolsominion" ou "Malddad".

O uso das redes sociais, em particular o 'Whatsapp' acentuou a violência dos insultos e caricaturas bem como discurso de ódio contra os candidatos.

Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), líder nas sondagens com 35% das intenções de voto, é atacado com recorrência por apoiantes de partidos de esquerda que se referem ao candidato populista como 'Bolsominions', 'coiso' ou 'Bolsonazis'.

Já Fernando Haddad, em segundo lugar com 22% dos votos, tem sido apelidado de Malddad, poste e robô do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato natural do Partido dos Trabalhadores que se encontra preso por crimes de corrupção.

Embora a polarização entre a extrema-direita e a esquerda que divide o Brasil seja o cenário mais provável para as eleições, os dois candidatos que lideram a corrida não foram os únicos presidenciáveis ridicularizados em grupos do 'Whatsapp' e mensagens no Twitter e Facebook.

Ciro Gomes em terceiro lugar com 11% dos votos já foi apelidado de 'suggar daddy' [termo inglês usado que se refere a homens mais velhos que sustentam mulheres mais novas] e o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin é conhecido pelo nome chuchu.

Para Octavio Rogens, mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), humilhar rivais usando apelidos negativos contra eles é uma estratégia de linguagem que se intensificou com os protestos recentes no Brasil.

"Em 2013 houve a divisão entre mortadelas [militantes da esquerda] e os coxinhas [militantes de direita], que surgiu para diferenciar grupos sociais de acordo com a ideologia política", explicou Octavio Rogens".

"Usar um apelido e não o nome para citar um candidato [ou uma categoria de pessoas] é uma estratégia de desconstrução. Quando os apoiadores do Bolsonaro usam os termos feminazi, maconhista e petralha [junção da sigla do Partido dos Trabalhadores com Os Irmãos Metralha] se compõe um universo semântico negativo", disse.

Para o linguista, a disseminação destes apelidos faz parte do processo de "desconstrução, mas é também de uma nova construção porque o apelido é uma forma de aproximação com o interlocutor e funciona como uma ferramenta para estabelecer maior comunicação."

"São construções que surgem para tentar humilhar o adversário, mas percebo que depois o próprio ofendido assume a identidade e tenta colocar uma carga positiva no termo, disse citando o caso do candidato Bolsonaro.

"Os apoiadores transformaram o apelido Bolsominion [referência à carga negativa que associava o candidatos ao desenho animado Minions] em Bolsomito. A palavra Bolsominion perdeu a carga negativa e começaram a surgir outros apelidos criados por rivais", frisou.

Octavio Rogens também considera que, nestas eleições, o uso de alcunhas visa também o sucesso, através do humor, nas redes sociais e plataformas de mensagens.

Nestas eleições, "houve uma popularizar desta estratégia, através e diversas vozes no processo. Nos próprios comentários das matérias jornalísticas [sobre eleições] vemos que há sempre a oportunidade e [pessoas] dispostas a criar mais apelidos para os candidatos", concluiu.

Cerca de 147 milhões de brasileiros estão aptos a votar primeira volta das presidenciais que acontece neste domingo 7 de outubro.

Se nenhum candidato superar 50% dos votos válidos haverá uma segunda volta para as presidenciais no dia 28 de outubro.

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