Borissov ganha eleições e fica perto de liderar governo pela terceira vez

Primeiro-ministro demitiu-se em novembro obrigando à realização de legislativas antecipadas. Já foi segurança e joga futebol

O Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB), de centro-direita, vai começar na próxima semana negociações para tentar formar uma coligação governamental que permitirá ao seu líder, Boyko Borissov, tornar-se pela terceira vez primeiro-ministro do país. As eleições legislativas antecipadas deste domingo foram provocadas pela demissão em novembro de Borissov da liderança do governo, depois de ver o candidato do GERB ser derrotado nas presidenciais pelo nome apoiado pelos socialistas.

Com 99% dos votos contados, o GERB já tinha conquistado 96 dos 240 lugares do Parlamento, número insuficiente para conseguir uma maioria e obrigando-o a tentar um acordo com o Patriotas Unidos, aliança de três partidos nacionalistas que deverá conseguir eleger 27 deputados. "É possível formar um governo com o GERB, é possível não o fazer", declarou Valeri Simeonov, líder do Patriotas Unidos. "Tudo depende se conseguirmos acordar políticas. Da última vez demorámos um mês", acrescentou.

O falhanço de um acordo entre estas duas forças abre a porta a uma possível aliança com os socialistas, os segundos mais votados, com 79 deputados. Durante a campanha, as socialistas prometeram melhorar as relações entre a Bulgária e a Rússia, mesmo que as custas da unidade da União Europeia. Borissov poderá ainda tentar trazer para o governo os populistas do Volya, que se estima que tenha conseguido 12 deputados.

De uma maneira ou outra, Boyko Borissov, de 57 anos, deve tornar-se pela terceira vez primeiro-ministro da Bulgária, cimentando assim a sua posição de um dos políticos mais influentes do país. Antigo bombeiro, fundou em 1991, uma empresa de segurança privada, tendo sido guarda-costas de Todor Zhivkov, o comunista que liderou a Bulgária entre 1954 e 1989, e Simeão II, monarca do país entre 1943 e 1946 e primeiro-ministro entre 2001 e 2005. Borissov pertenceu desde a fundação, até 2006, ao Movimento Simeão II, do qual saiu para criar o GERB.

Antes de chegar à liderança do governo pela primeira vez, em 2009, Borissov esteve quatro anos à frente da Câmara de Sofia, a capital da Bulgária. A sua vida política tem sido marcada por polémicas, desde ser acusado de corrupção e ligação ao crime organizado, a alegações de ser racista e xenófobo, por causa dos seus comentários sobre os ciganos roma, turcos e pensionistas.

A ligação ao desporto tem sido também uma constante na vida de Borissov. É o presidente da Federação de Karaté da Bulgária e treinou por muitos anos a equipa nacional da modalidade.

Também joga futebol, estando inscrito no FC Vitosha Bistritsa, DA segunda divisão. Em agosto de 2013, quando tinha 54 anos e depois de se ter demitido em fevereiro da liderança do governo, Borissov assinou contrato com o Bistritsa, para o qual já tinha jogado, tornando-se no jogador profissional mais velho do país.

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