Boris Johnson manda recado a deputados: não é por fazerem cair o governo que evitam um No Deal

Libra esterlina poderá desvalorizar para o seu nível mais baixo desde 1895 se houver um Brexit sem acordo

Se deputados trabalhistas e rebeldes conservadores se unirem para apresentar e aprovar uma moção de censura contra o novo governo de Boris Johnson, isso poderá levar a eleições legislativas antecipadas no Reino Unido, mas não evitará um "No Deal Brexit", saída do Reino Unido da UE sem acordo, a 31 de outubro.

O aviso foi deixado por Dominic Cummings, conselheiro especial do novo primeiro-ministro britânico, numa série de briefings com os membros do novo Executivo do Partido Conservador que foram citadas pelo jornal Telegraph. Cummings foi diretor da campanha Vote Leave em 2015-2016, a favor do Brexit, sendo um dos vencedores do referendo de há três anos.

"[Os deputados] não compreendem que, se houver um voto sobre uma moção de censura em setembro e em outubro, serão convocadas eleições para depois do dia 31 de outubro e sairemos de qualquer forma", disse Cummings, segundo uma das fontes citadas pelo jornal e que estiveram presentes nos referidos briefings.

Neste momento os deputados não podem apresentar uma moção de censura contra o governo de Boris Johnson porque a câmara dos Comuns se encontra se férias e só regressa aos trabalhos a 3 de setembro. O chefe o governo prometeu que o Reino Unido sairá da UE a 31 de outubro com ou sem acordo e, por isso, alguns conservadores contrários ao No Deal ameaçam votar com os trabalhistas para fazer cair o novo Executivo. Boris goza apenas de uma maioria de um deputado nos Comuns (graças ao acordo Conservadores-Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte) que é muito frágil.

O líder conservador disse que preferia sair com um acordo, mas que neste não poderia constar o backstop, mecanismo de salvaguarda destinado a evitar o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República do Norte depois de o Reino Unido sair, efetivamente, da União Europeia. A UE rejeita e recusa renegociar o acordo de retirada. O Partido Trabalhista britânico, liderado por Jeremy Corbyn, também já avisou que não aceitará nenhum acordo que não proteja os direitos dos trabalhadores e o ambiente. Assim, para já, o impasse mantém-se.

Contrariando Cummings, o lorde Jon Ashworth garantiu que, se quiserem, os deputados ainda podem travar um No Deal. "Haverá oportunidades para travarmos um No Deal quando o Parlamento voltar a reunir em setembro. O governo terá de apresentar legislação apropriada para preparar este No Deal Brexit que tanto parecer querer. E nós usaremos todos os meios ao nosso dispor no Parlamento e trabalharemos para travar um No Deal", declarou o político trabalhista, sem precisar, porém, como podem, de forma concreta e eficaz, os deputados travar um No Deal Brexit a 31 de outubro.

Enquanto as discussões, jogadas políticas e negociações de bastidores prosseguem, a libra esterlina continua a cair, tendo uma sondagem realizada pela Bloomberg junto de analistas dado conta de que, caso haja um No Deal Brexit, a moeda britânica poderá desvalorizar para o nível mais baixo desde 1985.

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