Bloomberg teme vitória republicana

Multimilionário e antigo mayor de Nova Iorque desiste de candidatura à Casa Branca. Argumento principal: não quer a vitória de Donald Trump nem de Ted Cruz. Mas não declara apoio explícito a Hillary.

"Há uma séria hipótese de uma candidatura da minha parte abrir caminho a uma vitória de Donald Trump ou do senador Ted Cruz. Este é um risco que, em consciência, não quero correr", afirmou ontem o antigo mayor de Nova Iorque e multimilionário Michael Bloomberg para justificar a não apresentação de uma candidatura independente à Casa Branca.

A hipótese de Bloomberg ser candidato foi referida com insistência entre janeiro e finais de fevereiro, tendo o próprio indicado que anunciaria uma decisão nos primeiros dias de março.

Para Bloomberg, que já passou pelos partidos republicano e democrático, "o extremismo está em ascensão e se não o travarmos na nossa sociedade e no exterior, as coisas vão piorar ainda mais". Endereçando duras críticas a Trump e a Cruz, o antigo mayor de Nova Iorque apelou à defesa do centrismo político nos Estados Unidos.

A decisão de Bloomberg foi conhecida através de um texto publicado numa publicação do grupo de media com o seu nome, e nele aquele que é detentor de uma das dez maiores fortunas dos EUA refere claramente não querer uma vitória republicana na eleição de novembro. E a sua candidatura poderia enfraquecer as hipóteses de uma vitória de Hillary Clinton, que começa a ganhar significativa vantagem sobre o senador do Vermont, Bernie Sanders. Está assim afastado um dos cenários que Bloomberg poderia invocar para ser candidato, a de que o campo democrático ficasse refém de um candidato considerado socialista, como sucede com o senador do Vermont. E que, como revela tendência prevalecente, do lado republicano estará Donald Trump, então o multimilionário poderia invocar o argumento, de uma forma ou outra, a Casa Branca ficar na mãos de um radical. Uma circunstância que começa a parecer afastada entre os democratas.

Fonte próxima de Bloomberg afirmou ao The New York Times que este não quer enfraquecer a posição de Hillary numa situação de confronto eleitoral com Trump. Todavia, no texto, o antigo mayor, que não expressa apoio declarado a nenhuma candidatura, critica as opções económicas da ex-secretária de Estado.

Bloomberg avisa ainda que continuará a "pedir aos eleitores que rejeitem" posições radicais e "exijam aos candidatos soluções inteligentes, realísticas e adequadas aos problemas".

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