Mayor de Washington 'desafia' Trump com a praça "Black Lives Matter"

Iniciativa da autarca, no entanto, foi criticada pelo próprio movimento, que a considera uma manobra de distração e diz que a mayor da capital norte-americana esteve sempre do lado errado.

A autarca de Washington, Muriel Bowser, anunciou esta sexta-feira ter nomeado uma zona próxima da Casa Branca como "Black Lives Matter Plaza". A área foi o epicentro dos protestos contra o racismo nos últimos dias e agora as suas ruas são uma homenagem gigante ao movimento. No entanto, a ideia não foi bem recebida, nem pelo próprio movimento nem por Donald Trump, o presidente dos EUA.

É a norte da Casa Branca que as palavras "Black Lives Matter" foram pintadas em enormes letras amarelas ao longo da rua que leva à mansão presidencial, juntamente com o símbolo da bandeira de Washington DC. .

"A secção da 16ª rua em frente à Casa Branca agora é oficialmente 'Black Lives Matter Plaza'", disse Bowser no Twitter.

O lugar onde as letras foram pintadas reveste-se de significado porque foi ali que teve lugar um incidente polémico na segunda-feira, quando manifestantes pacíficos foram dispersados pela polícia com gás lacrimogéneo.

Pouco depois, Trump caminhou da Casa Branca até uma igreja próxima para uma sessão de fotos durante a qual segurou uma Bíblia na mão, um ato considerado "traumático e ofensivo". pelo sacerdote de Washington.

Rose Jaffe, uma das artistas do coletivo que pintou as letras de homenagem ao movimento de defesa dos direitos dos negros nos EUA, disse à AFP que se trata "de recuperar as ruas de DC". Mas acrescentou que Bowser "tem de fazer mais do que apenas uma sessão de fotografias - ela deve continuar {a defender os direitos dos negros] quando isto acabar [os protestos]".

Mayor de Washington pede a Trump que retire tropas federais das ruas

Estrelas como LeBron James elogiaram a iniciativa, mas a secção local do movimento apelidou a homenagem de "distração" e pede antes "mudanças reais nas políticas".

"Isto é para apaziguar os liberais brancos e ignorar as nossas exigências", lê-se no twitter do movimento, que ainda acusou Bowser de sempre ter estado "do lado errado".

O governo dos EUA enviou um contingente significativo de oficiais federais e tropas da Guarda Nacional de outros estados para ajudar a conter os protestos em Washington.

Numa carta enviada a Trump na quinta-feira e publicada ao início desta sexta-feira no Twitter, a mayor de Washington pediu a retirada das tropas federais.

Para a autarca da capital norte-americana, a polícia local "está bem equipada para lidar com protestos", denunciando ainda a existência de patrulhas de segurança nas ruas da cidade.

A convocação de forças militares para os arredores da Casa Branca aconteceu depois de, domingo, uma igreja próxima ter sido vandalizada e centenas de manifestantes terem arremessado pedras para os jardins da residência oficial do Presidente.

Ao longo dos últimos dias, já foram detidas cerca de dez mil pessoas em dezenas de cidades dos Estados Unidos, acusados de vandalismo, saque e não cumprimento de recolher obrigatório, que foi decretado em vários estados, para conter a onda de violência das manifestações.

Mais de 250 pessoas detidas em Nova Iorque na noite passada

Na passada noite, em Nova Iorque foram detidas mais 250 pessoas, em manifestações que ocorreram já depois do toque de recolher obrigatório, determinado para as 20:00, quando a polícia atuou com força sobre os manifestantes.

As autoridades nova-iorquinas tinham avisado que não dariam tolerância ao recolher obrigatório, depois de várias noites de saques e de destruição de lojas no centro da cidade.

Em Minneapolis, a cidade onde Floyd foi assassinado por asfixia por um polícia que o escoltava, as manifestações já estão mais pacíficas, mas continuam a angariar milhares de pessoas que se têm dirigido para o local da morte, para prestar homenagem ao afro-americano.

Hoje, um grupo de jogadores, treinadores e funcionários das principais equipas de futebol americano de Minneapolis foram ao local do homicídio usando camisolas do movimento #BlackLivesMatter, tendo depois seguido até à esquadra de polícia, em sinal de protesto para com o comportamento dos agentes.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Cerca de 10.000 pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e as autoridades impuseram recolher obrigatório em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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