Berlim quer mais controlo nas fronteiras. Viena defende excluir Grécia de Schengen

Alemanha e Áustria juntam-se a Bélgica, Suécia e Dinamarca para apoiar limitar a entrada de migrantes do espaço da UE.

Áustria, Bélgica, Suécia, Dinamarca e Alemanha estão a defender um maior controlo em algumas fronteiras do espaço Schengen para ajudar a Europa a lidar com o afluxo de refugiados e migrantes. Segundo uma notícia que será publicada hoje no jornal alemão Welt am Sonntag, mas que este já ontem antecipava, a iniciativa vai ser discutida amanhã num encontro dos ministros dos Interior da União Europeia em Amesterdão.

Em declarações ao mesmo jornal, a ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, defendeu que a Grécia deve ser temporariamente expulsa do espaço Schengen de livre circulação se não melhorar o controlo das fronteiras externas da Europa. As declarações de Leitner surgem dias depois de um relatório que sugeria que esta medida poderia incentivar as autoridades de Atenas a proteger mais eficazmente as suas fronteiras. Em 2015 mais de um milhão de refugiados entraram na Europa, muitos deles atravessando de barco da Turquia para a Grécia. Um grande contingente destes migrantes vem da Síria, fugindo a cinco anos de guerra civil. O sonho da maioria é chegar à Alemanha ou aos outros países do Norte da Europa.

Num artigo no Financial Times, o responsável grego pelo tema da imigração, Yiannis Mouzalas, disse que o relatório tinha "falsidades e distorções", mas a ministra austríaca insiste que é tempo de passar das palavras aos atos. "É um mito dizer que a fronteira turco-grega não pode ser controlada", disse Leitner, argumentando que "quando um membro de Schengen não cumpre consistentemente as suas obrigações e só aceita de forma hesitante a ajuda oferecida, então não podemos excluir essa possibilidade".

Para Mikl-Leitner, "a paciência de muitos europeus chegou ao limite... Já falámos muito, agora é tempo de agir. Isto é sobre proteger a estabilidade, a ordem e a segurança na Europa", enfatizou.

Na quarta-feira, a Áustria anunciou que vai limitar o número de pedidos de asilo a 37 500 este ano, menos do que o total de 2015. E até 2019 promete reduzir esse limite máximo para 25 mil pedidos anuais.

O alerta de Lagarde

Em Davos, onde participa no Fórum Económico Mundial, a diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, deixou o alerta: A crise dos migrantes na Europa põe em risco a sobrevivência do espaço Schengen. A ex-ministra francesa respondeu com um "Sim, penso que sim" quando foi questionada durante um debate sobre se a crise da migração na Europa pode comprometer a sobrevivência das fronteiras abertas na UE, sublinhando contudo que este é o seu ponto de vista pessoal.

A voz de Lagarde vem desta forma juntar-se à de outros líderes europeus que esta semana manifestaram a mesma opinião em Davos. Os primeiros-ministros franceses e holandeses, Manuel Valls e Mark Rutte, invocaram nomeadamente um possível deslocamento europeu devido à crise da migração.

Lagarde precisou que o FMI, como instituição, considera no entanto que se esta crise for bem gerida poderá vir a beneficiar economicamente alguns países, concedendo-lhes um crescimento adicional. De um ponto de vista económico, "a Europa está definitivamente em melhor forma do que no ano passado, mas temos duas preocupações importantes" para o continente, disse Lagarde. Uma é a crise dos refugiados e o outro é o risco de brexit, a eventual saída do Reino Unido da UE.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG