Benoît Hamon ganha primárias da esquerda. Valls em segundo

Antigo ministro Benoît Hamon defronta na segunda volta o ex-primeiro-ministro Manuel Valls. O primeiro defende um rendimento universal, o segundo garante que só ele abre a porta a uma vitória socialista nas presidenciais.

Benoît Hamon ganhou a primeira volta das primárias dos socialistas franceses e seus aliados, com 35,8% dos votos, tendo ficado em segundo lugar o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, com31,4%. Ambos irão enfrentar-se na segunda volta que decorre no próximo domingo.
Em terceiro lugar, ficou Arnaud Montebourg com 17,9%. A grande distância, ficaram Vincent Peillon, com 6,7%, François de Rugy, 3,7%, Sylvia Pinel, com 2%, e Jean-Luc Bennahmias, com 1%.
Nas declarações após a divulgação dos resultados, Hamon disse que a votação "foi uma mensagem clara de esperança e de renovação". Foi "um voto de convicção" que mantém as expectativas em aberto para as presidenciais. "É agora necessário ampliar a mobilização", avisou.
Valls também falou logo a seguir à divulgação dos resultados, para dirigir críticas ao programa de Hamon. Depois, o ex-primeiro-ministro afirmou que o voto na sua candidatura na segunda volta representa a "escolha" numa " vitória possível" nas presidenciais.
Funcionaram 7530 assembleias de voto para a escolha do candidato socialista às presidenciais de 23 de abril e 7 de maio. O número de participantes situou-se entre os 1,7 e os 1,9 milhões de eleitores.
A vitória de Hamon acabou por concretizar uma tendência presente nas sondagens ao longo da campanha, com este candidato, que se assumiu como claramente da esquerda do partido, a ir subindo nas intenções de voto. Entre as grandes propostas de Hamon, ministro da Economia Social entre 2012 e 2014, estão a criação de um rendimento universal, 750 euros por mês, para todos os maiores de 18 anos, e a redução do horário de trabalho.
Os restantes candidatos já admitiram a derrota, com Pinel a dar o seu apoio a Valls enquanto Montebourg, também da ala esquerda dos socialistas, a declarar o seu a Hamon. Peillon escusou-se a fazê-lo.

Hamon foi ministro da Economia Social entre 2012 e 2014, defende a redução do horário de trabalho, o rendimento social garantido, políticas ecológicas e a legalização da canábis. Tem 49 anos.

Um sucesso
Uma sondagem à boca de urnas do Instituto Elabe para a BFMTV revelava que 68% dos votantes foram simpatizantes da esquerda, 10% de centro e direita, 7% da Frente Nacional e 15% sem preferência.
Para o secretário-geral dos socialistas, Jean-Christophe Cambadélis, o escrutínio "foi um sucesso". Mas, é muito cedo para cantar vitória. A generalidade das sondagens indica que não haverá um socialista na segunda volta. E um nome começa a surgir, cada vez mais, como a opção para muito do eleitorado socialista consciente de que são as poucas as hipóteses de um candidato desta família política chegar ao voto de 7 de maio: Emmanuel Macron.
Perante a improbabilidade de um socialista estar na segunda volta, Jean-Luc Mélenchon, que rompeu em 2008 com os socialistas e se apresenta hoje como o candidato da esquerda e da "França insubmissa", defendeu a desistência do vencedor destas primárias, preferencialmente, a seu favor. Em declarações ao Journal du Dimanche, reconhecia ontem que, por outro lado, haverá "uma hemorragia enorme de toda a direita do PS" para Macron. Mélenchon surge, em geral, em quarto lugar nas sondagens após Macron, a candidata da extrema-direita Marine Le Pen e François Fillon, centro-direita.
Para votar, os eleitores tiveram de pagar um euro, valor que se mantém idêntico para a segunda volta. Assim, se a média de participação nas duas voltas chegasse aos dois milhões de pessoas, isso permitiria cobrir a totalidade dos custos do processo, estimado entre os 3,5 e os 4 milhões de euros. O nível de participação na primeira volta pôs em causa essa meta, mas os socialistas apresentam uma contabilidade sã, notava ontem o presidente da organização das primárias, Christophe Borgel, ao contrário do partido de Fillon. Os Republicanos ainda estão a pagar a campanha de Nicolas Sarkozy em 2012, cujas contas estavam eivadas de irregularidades.
Os jornais deram conta de algumas irregularidades, com alguns eleitores a conseguirem votar duas vezes, como já sucedera nas primárias da direita, por terem mudado de residência. Assim, votavam na assembleia de voto habitual, com o cartão de eleitor, e na assembleia designada pela organização das primárias, com o bilhete de identidade.

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