Ban Ki-moon quer que sucessor seja uma mulher

Por vontade do atual secretário-geral da ONU, António Guterres não ocupará o seu cargo

Ban Ki-moon manifestou vontade de ter uma mulher a sucedê-lo como secretário-geral da ONU. "Já é tempo", afirmou, segundo o jornal britânico The Guardian. Assim sendo, por vontade do sul-coreano António Guterres não será o seu sucessor.

Com 11 candidatos ao cargo que agora ocupa - seis homens e cinco mulheres -, Ban-Ki-Moon salienta que não é a ele que lhe cabe a decisão, mas sim aos 15 membros do Conselho de Segurança, mas realça que há muitas mulheres a distinguirem-se na liderança de governos, partidos, outras organizações e negócios. "Não há razão para não estarem nas Nações Unidas", reparou, sem avançar nenhum nome.

"Há muitas mulheres líderes distintas, motivadas, que podem mudar o mundo, que podem ativamente relacionar-se com outros líderes do mundo", disse. "Então, essa é a minha humilde sugestão, mas é com os membros".

A eventual eleição de uma mulher para liderar a ONU ainda enfrenta, contudo, alguma relutância no seio da organização, segundo defendeu no domingo a ministra dos Negócios Estrangeiros argentina, Susana Malcorra, candidata à sucessão de Ban Ki-moon.

"Ainda há um voto com preconceitos em relação às mulheres", declarou Malcorra ao jornal argentino Clarin e citada pela AFP.

"Quando há capacidades iguais, há sempre uma pequena desvantagem das mulheres e quando vemos que só há uma mulher atualmente no Conselho de Segurança (Samantha Power, a embaixadora dos Estados Unidos), é difícil manter um certo equilíbrio e uma certa paridade", apontou Malcorra, 61 anos, antiga chefe de gabinete do secretário-geral da ONU.

Para suceder a Ban Ki-moon, "há um longo caminho, não é uma eleição por democracia direta", referiu a candidata.

O antigo primeiro-ministro português António Guterres, também candidato ao cargo de secretário-geral da ONU depois de ter liderado durante 10 anos o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ficou em primeiro lugar nas duas votações feitas até agora no Conselho de Segurança.

Uma votação que, na opinião de Mónica Ferro, ex-deputada e académica especializada no tema da ONU, provocou alguma surpresa entre muitos candidato, devido aos critérios da rotação geográfica (privilegiando-se agora alguém da Europa de Leste) e do fator género (privilegiando-se agora uma mulher).

Susana Malcorra ficou em terceiro lugar na votação. Há outras mulheres na corrida, como a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark e a diretora-geral da UNESCO, a búlgara Irina Bokova.

Os membros do Conselho de Segurança, que fazem a escolha por voto secreto, submetem depois um nome à Assembleia Geral da ONU, que deve pronunciar-se em setembro.

A terceira votação está marcada para 29 de agosto.

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