Aumentar idade para comprar armas só se tribunais aprovarem

Plano da Casa Branca para escolas inclui armar professores e avaliar compradores

Armar os professores e reforçar a investigação ao passado de quem comprar armas. As duas ideias já tinham sido avançadas por Donald Trump após o tiroteio que fez 17 mortos numa escola de Parkland na Florida a 14 de fevereiro e foram agora incluídas num plano da Casa Branca para melhorar a segurança das escolas nos Estados Unidos. De fora ficou o aumento da idade mínima para a compra de algumas armas de 18 para 21 anos. Essa, explicou ontem o presidente, não avançará enquanto os tribunais não se pronunciarem.

"No limite de 18 para 21 anos, temos de ver a decisão dos tribunais antes de agir. Alguns estados estão a tomar esta decisão. As coisas estão a mudar rapidamente, mas há fraco apoio político (para ser simpático)", escreveu Trump no Twitter. O presidente defendeu logo depois do tiroteio que se treinem e armem os professores, de forma a proteger os alunos. A ideia, já praticada em alguns estados, tem o apoio da NRA, o poderosíssimo lóbi das armas. Ao contrário do aumento da idade mínima para a compra de certas armas - a que a NRA se apressou a garantir que se opõe.

A passagem para os 21 anos, tal como a investigação mais aprofundada ao historial de quem compre armas em feiras ou online são medidas que deverão ser estudadas por uma comissão liderada pela secretária da Educação, Betsy DeVos. Nos EUA pode comprar-se uma espingarda ou caçadeira a partir dos 18 anos, para comprar uma pistola o limite é de 21. Isto nos vendedores avalizados. Nas feiras e outros locais não especializados não existe idade mínima para comprar espingardas e caçadeiras e basta ter 18 anos para adquirir uma pistola.

Ora no domingo à noite, num discurso em Pittsburgh, na Pensilvânia, que ontem foi a votos para encontrar o substituto na Câmara dos Representantes em Washington de Tim Murphy, que se demitiu em outubro, Trump criticou precisamente este tipo de comissão. Diante dos apoiantes do candidato republicano Rick Saccone, o presidente garantiu que estes painéis são a típica solução vazia a que Washington muitas vezes recorre em vez de resolver os problemas.

Para além da criação da comissão que vai avaliar estas questões, o plano da Casa Branca prevê o financiamento de programas de treino para funcionários das escolas, o apelo a veteranos das forças armadas e a antigos agentes da polícia para começarem a trabalhar em escolas e o reforço da investigação ao passado e ao estado mental dos compradores de armas.

Depois de ter defendido o aumento da idade mínima para comprar armas, Trump terá cedido à pressão da NRA para recuar nesta medida. O lóbi das armas decidiu mesmo processar o estado da Florida depois de este ter aumentado para 21 anos a idade mínima para comprar espingardas, além de autorizar o treino e armamento dos funcionários das escolas. Segundo a NRA, a lei assinada pelo governador Rick Scott, tal como Trump um velho aliado do lóbi pró-armas, viola a Constituição.

A oposição democrata criticou este plano da Casa Branca, considerando tratar-se de "passinhos de bebé", nas palavras de Chuck Schumer, o líder da minoria no Senado. Para o senador de Nova Iorque, a "epidemia de violência ligada às armas exige passos de gigante", como escreveu também no Twitter. Já Avery Gardiner, copresidente da Brady Campaign, para a prevenção da violência com armas, "os americanos que esperavam uma verdadeira liderança para evitar a violência ligada às armas vão ficar desiludidos e preocupados com o recuo perigoso de Trump".

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