Ativista pró-independência discursou em Hong Kong numa palestra que desafiou Pequim

O Ministério dos Negócios Estrangeiros pediu o cancelamento da palestra, mas Andy Chan, líder do Partido Nacional e defensor da independência da região especial administrada pela China, discursou esta terça-feira

Um ativista independentista discursou esta terça-feira no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong, apesar de Pequim ter pedido o cancelamento da palestra que foi marcada por manifestações pró-independência, pró-China e pró-democracia.

Um pequeno grupo intitulado de União da Independência dos Estudantes manifestou-se em apoio ao discurso proferido no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong (FCC, na sigla em inglês) por Andy Chan, líder do Partido Nacional e defensor da independência desta região especial administrada pela China.

Manifestantes pró-democracia, apesar de serem contra a independência, afirmaram ser a favor do direito de liberdade de imprensa e liberdade de expressão em Hong Kong.

"O nacionalismo de Hong Kong: um guia politicamente incorreto para Hong Kong sob o governo chinês". Foi este o tema da palestra de Andy Chan

Os ativistas pró-independência chegaram a entrar em confronto com a polícia, enquanto dezenas de partidários pró-Pequim gritaram palavras de ordem contra os ativistas.

"Mandem gás contra os espiões!", foi um dos slogans que os manifestantes a favor de Pequim entoaram, de acordo com a agência de notícias France-Presse.

A palestra de Andy Chan sobre "O nacionalismo de Hong Kong: um guia politicamente incorreto para Hong Kong sob o governo chinês", foi criticada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim que chegou a pedir o seu cancelamento.

Este pedido, o primeiro deste tipo desde 1997, data da transferência de soberania do Reino Unido para a China, surge numa altura em que Pequim continua a reforçar o domínio sobre aquele território que, ao abrigo da lei básica local, goza de liberdade de expressão e poder judicial independente.

A transferência da soberania britânica de Hong Kong para a China ocorreu a 1 de julho de 1997. Pequim garantiu, tal como em Macau, o princípio "um país, dois sistemas"

O FCC recusou-se a aceder ao pedido de Pequim, reiterando que as opiniões de diferentes, em qualquer debate, devem ser ouvidas.

Durante a palestra, Andy Chan agradeceu ao FCC por defender a liberdade de expressão e por não ter cedido às pretensões chinesas.

A transferência da soberania britânica de Hong Kong para a China ocorreu a 1 de julho de 1997. Pequim garantiu, tal como em Macau, o princípio "um país, dois sistemas", um período de transição de 50 anos durante o qual o território manterá uma autonomia alargada.

Trinta e cinco dos 70 lugares no Conselho Legislativo de Hong Kong são eleitos através de sufrágio universal, enquanto os restantes são diretamente designados por grupos de poder, muitos deles considerados próximos de Pequim.

As pretensões independentistas e pró-democracia ganharam força após a chamada Revolução dos Guarda-Chuvas.

Em 2014, milhares de pessoas ocuparam várias das principais artérias da cidade para exigir um sufrágio universal genuíno que não implicasse, como o Governo central propunha, que os candidatos a chefe do Governo fossem selecionados por um colégio eleitoral de 1 200 membros.

As imagens dos protestos correram o mundo, mas o movimento falhou.

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