Argentina assume a liderança do G20 com desejo de voltar a ser protagonista mundial

"Construindo consensos para um desenvolvimento equitativo e sustentável" é o lema para este ano de reuniões do fórum internacional

É uma Argentina desejosa de mostrar capacidade para desempenhar “um papel relevante no mundo” e que está no “caminho certo” que assume hoje a presidência pro tempore do G20, o principal fórum internacional para a cooperação económica, financeira e política. “Este esforço logístico, de investimento, de segurança, é um esforço que a Argentina faz para demonstrar ao mundo que queremos voltar a ser um protagonista importante no mundo”, disse ao DN o embaixador argentino em Portugal, Oscar Moscariello.

Para o diplomata, tudo o que o presidente Maurício Macri tem vindo a fazer desde que tomou posse, há dois anos, da participação no Fórum de Davos à resolução dos problemas da dívida, passando pelo desejo de fazer parte da OCDE, serve para mostrar que a “Argentina deve ocupar o seu espaço entre as economias mais importantes do mundo”. Segundo Moscariello, “todas as decisões, não só as tomadas pelo governo, mas também as dos cidadãos que apoiaram este rumo nas eleições intercalares, vão permitir que a Argentina se transforme num país muito atrativo para os investimentos”.

Na cerimónia de lançamento da presidência, Macri disse que o objetivo da Argentina é “ser a expressão de toda a região”. É a primeira vez que um país sul-americano assume a presidência do G20. “Vamos demonstrar que podemos juntar-nos a uma conversação global sem levantar a voz com raiva e sem seguir passivamente os interesses dos outros”, assinalou ontem no Centro Cultural Kirchner, em Buenos Aires. O lema do próximo ano será: “Construindo consensos para um desenvolvimento equitativo e sustentável.”

À frente do G20, cabe à Argentina estabelecer a agenda de temas a debater em 2018. Macri anunciou que esta estará focada em três eixos: “o futuro do trabalho, infraestruturas para o desenvolvimento e uma alimentação sustentável”. Em relação ao primeiro aspeto, a ideia é garantir que “a ampliação do desenvolvimento tecnológico não gera exclusão nem reações adversas”, defendendo a aposta na educação. No tema das infraestruturas, a Argentina considera “fundamental” mobilizar os investimentos privados. Quanto à alimentação, Macri lembrou que o seu país é considerado um dos celeiros do mundo, produzindo alimentos para mais de 400 milhões de pessoas, expressando a preocupação com a preservação “crucial” da terra como recurso limitado.

O tema das alterações climáticas, que causou divisões na cimeira de Hamburgo quando o presidente norte-americano, Donald Trump, recusou apoiar o acordo do clima de Paris, não será central. Mas Macri garantiu que irá continuar os esforços das anteriores presidências, em temas como a igualdade de género, a luta contra a corrupção ou a proteção do meio ambiente. A agenda da Argentina será “uma agenda amigável”, como escreveu o jornal de economia El Cronista, já que “Macri prefere um avanço morno a um fracasso premeditado”.

Além de assumir a presidência do G20, a Argentina acolhe entre 10 e 13 de dezembro a 11ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio. Mas dificilmente haverá um anúncio de um acordo comercial entre o Mercosul (que, além da Argentina, inclui o Brasil, o Paraguai e o Uruguai) com a União Europeia.

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