Arábia Saudita, Bahrain, Emirados, Egito e Iémen cortam relações com o Qatar

Sismo diplomático tem lugar 15 dias depois da visita a Riade de Tump, que pediu a países muçulmanos para agirem

Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Egito e Iémen anunciaram esta segunda-feira o corte de relações diplomáticas com o vizinho Qatar. A medida visa "proteger a segurança nacional do terrorismo e extremismo", segundo um comunicado oficial que chegou à agência de notícias da Arábia Saudita. Este sismo diplomático está a ter consequências nas ligações aéreas, com a Etihad Airways, Emirates, FlyDubai e Saudia a suspenderem voos com Qatar, e também no preço do petróleo.

A Arábia Saudita encerrou as ligações aéreas e marítimas com o Qatar e "insta todos os países irmãos e empresas a fazer o mesmo", adianta a mesma fonte oficial.

O Qatar "apoia vários grupos terroristas e sectários que têm como objetivo perturbar a estabilidade na região, incluindo a Irmandade Muçulmana, o ISIS e a Al.-Qaeda, e promove a mensagem e esquemas destes grupos através dos seus media", acusou a agência de notícias da Arábia Saudita, citada pela Reuters.

Um outro comunicado, dos Emirados Árabes Unidos, divulgado pela WAM, acusa o Qatar de perturbar a estabilidade na região. A companhia aérea Etihad Airways, sedeada nos Emirados, anunciou a suspensão dos seus voos de e para o Qatar, pouco depois de Abu Dhabi ter anunciado o corte de relações diplomáticas com Doha.

Do Bahrain veio a ordem para que diplomatas e cidadão do Qatar abandonem os país em 48 horas. As relações diplomáticas foram suspensas "para preservar a segurança nacional".

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Bahrain, Kuwait e Qatar formam uma aliança regional, Conselho de Cooperação do Golfo. Kuwait e Omã são os únicos que mantém relações diplomáticas com o Qatar neste momento.

O Egito anunciou também o corte de relações, acusando o Qatar de apoiar organizações terroristas como a Irmandade Muçulmana, numa notícia difundida pela Reuters.

O Cairo acusou Doha de ter uma "abordagem antagonista" e afirmou que "todas as tentativas para o impedir de apoiar grupos terroristas falharam", dando ao embaixador do Qatar 48 horas para abandonar o Egito e chamando o seu encarregado de negócios em Doha.

No final do mês passado, Arábia Saudita, Emirados, Bahrain e Egito bloquearam o acesso a vários meios de comunicação do Qatar, incluindo a estação de televisão Al-Jazeera.

Arábia Saudita e Irão têm posições antagónicas em relação a vários temas ligados com a região, incluindo o programa nuclear do Irão e a sua crescente influência na Síria, Líbano e Iémen.

O Iémen é o quinto país a cortar relações com o Qatar.

A resposta do Qatar

"Injustificadas". É assim que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar classifica as medidas da Arábia Saudita e dos outros três países de cortar relações com o governo de Doha, numa nota de imprensa citada pelo site Al-Jazeera.

"As medidas são injustificadas e baseiam-se em alegações que não têm razão de ser", diz a nota de imprensa, acrescentando que as decisões "não terão qualquer efeito nas vidas dos cidadãos e residentes".

Depois de a bolsa de Doha fechar em baixa nos 7,58%, Doha acusou os países envolvidos de violarem a sua soberania.

Corte de ligação terrestre

A Arábia Saudita deu ainda conta de que também pretende encerrar a sua fronteira terrestre com o Qatar, deixando-o o efetivamente isolado do resto da península arábica, depois de também ter encerrados os portos aéreos e marítimos, medida também postas em prática pelo Emirados, Bahrain e Egito.

Desconhece-se também de que forma a medida vai afetar a transportadora Qatar Airways, uma das maiores companhias de longo curso da região, que cruza frequentemente o espaço aéreo saudita, a qual também ainda não comentou os anúncios, segundo a Lusa.

Trump visitou Arábia Saudita há 15 dias

Este sismo diplomático tem lugar 15 dias depois de uma visita a Riade do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o qual pediu aos países muçulmanos para agirem de forma decisiva contra o extremismo religioso.

Dias depois da visita, o Qatar anunciou que a sua agência oficial, QNA, foi "pirateada por uma entidade desconhecida" e que "declarações falsas", sobre o Irão, o Hezbollah, o Hamas e a Irmandade Muçulmana, foram atribuídas ao emir.

Apesar dos desmentidos de Doha, as declarações foram divulgadas pela maioria dos meios de comunicação da região. No dia seguinte, o jornal Al-Bayan, dos Emirados, escrevia em manchete "O Qatar divide os árabes" e o saudita Al-Hayat que as declarações atribuídas ao emir provocaram "uma indignação em grande escala".

As acusações ao Qatar de apoio ao terrorismo são recorrentes, mas Doha nega-as.

O Qatar, independente desde 1971, vai acolher o Mundial de Futebol de 2022. Tem cerca de 2,7 milhões de habitantes.

(atualizada às 17:10)

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