Aproximação não esconde diferenças entre Trump e Merkel

Presidente e chanceler deram provas de que querem manter viva a relação transatlântica. Mas sobre o acordo com o Irão e as relações comerciais as divergências estão à vista

Quem sabe se inspirado pelo calor transmitido por Emmanuel Macron, ou se para emendar a fria receção que lhe reservou no ano passado, Donald Trump surpreendeu Angela Merkel - "uma mulher extraordinária" - com um par de beijos mal esta saíra do automóvel. Os temas do encontro expunham as divergências entre Berlim e Washington, mas o presidente norte-americano fez por sublinhar mais o que une os dois países do que o que os separa.

Relações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos e o acordo internacional com o Irão eram dois dos temas prementes a abordar. Num e noutro, o presidente norte-americano poderá tomar decisões nas próximas horas ou dias. No dia 1 de maio, caso Trump nada faça em contrário, termina a isenção das tarifas às importações do aço e do alumínio oriundas da União Europeia. Um dos países que mais podem sofrer com a medida é a Alemanha. "Trocámos as nossas ideias sobre o assunto. O presidente vai decidir, isso é muito claro", foi quase tudo o que se soube pela boca de Angela Merkel, como o presidente norte-americano a tratou. A chanceler disse ver com bons olhos uma negociação comercial entre UE e EUA.

Trump queixou-se do défice comercial entre o bloco europeu e norte-americano e, a talhe de foice, voltou a pedir aos parceiros europeus da NATO para aumentarem a contribuição nas despesas da defesa. Sobre o acordo internacional assinado com o Irão, do qual Trump ameaçou sair, a governante alemã reconheceu que "não é perfeito, mas é um edifício de um só piso que pode crescer". Trump resumiu a questão de forma diferente: "É um regime assassino que não pode estar nem perto de obter armas nucleares."

Republicanos ilibam Trump

A Rússia realizou uma campanha de guerra informativa para interferir na eleição presidencial dos EUA em 2016, mas não há provas de que a equipa de Donald Trump tenha colaborado com Moscovo, concluiu um relatório de 253 páginas, da autoria dos republicanos presentes no comité dos serviços secretos do Congresso.

A democrata Nancy Pelosi reagiu à divulgação do relatório ao afirmar que o seu campo vai continuar a investigar a alegada intromissão russa nas eleições dos EUA.

Esta sexta-feira soube-se que a advogada Natalia Veselnitskaya, presente numa reunião na torre Trump, em junho de 2016, com Donald Trump Jr. e outros próximos do então candidato presidencial, é uma informadora do Kremlin. A revelação foi feita pela própria numa entrevista à NBC. "Sou advogada e sou informadora. Tenho comunicado de forma ativa desde 2013 com o escritório do procurador-geral russo", disse.

Esta informação traz novas interrogações sobre quem Veselnitskaya representava. Um intermediário combinou o encontro no qual a advogada iria entregar documentos que iriam incriminar Hillary Clinton. A reunião é um dos pontos fundamentais da investigação do procurador especial Robert Mueller.

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