App para substituir contracetivos resulta em quase 100 gravidezes indesejadas

Aplicação Natural Cycles é usada em todo o mundo, mas casos de gravidezes só foram relatados até agora na Suécia

Em menos de quatro meses, trinta e sete mulheres suecas que usavam a Natural Cycles, uma aplicação para o smartphone que funciona como método contracetivo, engravidaram. A informação foi divulgada pelo hospital Södersjukhuset, em Estocolomo, à agência sueca de medicamentos, refere o El País , citando a imprensa local. As 37 grávidas dirigiram-se ao hospital entre setembro e dezembro de 2017.

A Natural Cycles, que em Portugal teve luz verde do Infarmed no verão passado, foi classificada como "um dispositivo médico de classe IIb", isto é, de médio risco.

Para além dos casos relatados pelo hospital de Estocolmo, e de acordo com um comunicado da própria empresa que gere a aplicação, mais 51 mulheres tiveram gravidezes indesejadas quando estavam a usar a Natural Cycles. Mas a empresa ressalva que a aplicação tem uma eficácia de 93% se for usada corretamente e, com uma utilização perfeita, é eficaz em 99% dos casos.

Apesar de ser usada em vários países - e de já ter sido descarregada mais de 100 mil vezes - só foram relatados casos de gravidezes na Suécia.

A aplicação foi concebida pela física sueca Elina Berglund, que fez parte da equipa do CERN que detetou o bosão de Higgs. Segundo o site da Natural Cycles, a eficácia do método é elevada e a aplicação é aconselhada a "todas as mulheres que estão à procura de um método contracetivo natural eficaz", ou seja, uma alternativa aos métodos químicos para as mulheres que não podem, ou simplesmente não querem, recorrer a eles.

Para usar a aplicação - para maiores de 18 -, basta medir a temperatura corporal de manhã, inseri-la no dispositivo e a aplicação dará luz vermelha (se for preciso o uso de proteção), ou luz verde (no caso de não ser necessário). Se subscrever a aplicação na modalidade mais cara, recebe o termómetro para fazer as medições. A aplicação, disponível nos sistemas iOs e Android, tem um custo de 5,4 a 9,9 euros por mês e não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST).

O método funciona através de um algoritmo, que tem em conta o ciclo menstrual da mulher. Para que funcione na perfeição, a aplicação terá de conhecer cada caso, o que poderá demorar alguns meses. "Assim, pode esperar mais dias vermelhos no início e 10 dias, em média, após 2-3 ciclos", lê-se no site. É ainda aconselhado que não se meça a temperatura quando se estiver doente, de ressaca ou com uma má noite de sono.

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