Antigo líder Jeremy Corbyn suspenso pelo Partido Trabalhista 

O Partido Trabalhista suspendeu esta quinta-feira o seu antigo líder Jeremy Corbyn na sequência de um relatório que condenou a principal força da oposição no Reino Unido por "atos ilegais de assédio e discriminação" antissemita.

Reagindo ao relatório, Jeremy Corbyn escreveu na rede social Facebook que não aceita "todas" as conclusões do relatório e alega que a "dimensão do problema foi muito exagerada" por rivais políticos dentro e fora do Partido e pela comunicação social.

Um porta-voz do 'Labour' disse que, "à luz dos seus comentários feitos hoje e a falta de uma retração subsequente, o Partido Trabalhista suspendeu Jeremy Corbyn enquanto decorre uma investigação", pelo que deixa assim de fazer parte da bancada parlamentar.

O relatório de 130 páginas, resultado de uma investigação que durou 16 meses, diz ter encontrado "falhas significativas na maneira como o Partido Trabalhista lidou com as queixas de antissemitismo nos últimos quatro anos" durante a liderança de Corbyn.

"É difícil não concluir que o antissemitismo dentro do Partido Trabalhista poderia ter sido combatido de forma mais eficaz se a liderança tivesse escolhido fazê-lo", referem os autores, numa crítica a Corbyn.

Em causa estão processos internos contra militantes e dirigentes acusados de declarações discriminatórias contra judeus, que os críticos e vítimas queixam-se de não terem sido concluídos nem resultado no castigo ou expulsão dos responsáveis.

O antigo líder admitiu a existência de antissemitismo no partido e lamentou a demora na implementação de medidas que tomou para lidar com o problema durante o tempo em que esteve à frente do 'Labour', entre 2015 e 2020.

"Quando me tornei líder Trabalhista em 2015, os processos do Partido para lidar com as reclamações não eram adequados. A reforma foi então paralisada por uma burocracia partidária obstrutiva", afirmou Corbyn, reivindicando "melhorias substanciais" a partir de 2018.

O atual líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, reconheceu hoje que este é um "dia vergonhoso" para o principal partido da oposição e prometeu implementar as recomendações feitas no relatório, incluindo um novo processo de queixas independente da direção.

"Não pode haver mais oportunidades perdidas. Não há mais recusas ou desculpas. Sob a minha liderança, o 'Labour' vai agir de forma decisiva contra o antissemitismo em todas as suas formas", garantiu.

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