Antiga correspondente do 'Le Monde' detida em Haia

Hartmann foi condenada em 2009 por desrespeito ao tribunal, devido à publicação de um livro com informações confidenciais

A antiga porta-voz da procuradora do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPI-J), Florence Hartmann, está detida em Haia, depois de ter de ter sido detida na sexta-feira hoje junto ao tribunal, horas antes do anúncio do veredicto contra o ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic.

Segundo jornalistas da agência France Presse no local, Hartmann, condenada em 2009 por desrespeito ao tribunal devido à publicação de um livro com informações confidenciais, foi detida pelos serviços de segurança da ONU e levada para o interior do edifício.

A antiga jornalista, correspondente do Le Monde, estava junto de várias dezenas de manifestantes que aguardavam o veredicto, na sua maioria vítimas da guerra da Bósnia, entre as quais membros das "Mães de Srebrenica", associação que representa as vítimas do massacre de 1995 em que quase 8 000 homens e rapazes muçulmanos foram mortos pelas forças sérvias bósnias.

Hartmann, porta-voz da procuradora do TPI-J Carla del Ponte de 2000 a 2006, foi condenada em 2009 por divulgar no seu livro "Paz e Castigo" decisões confidenciais do tribunal.

A decisão foi confirmada em segunda instância em 2011, mas Hartmann, antiga correspondente do jornal Le Monde nos Balcãs, recusou pagar uma multa de 7.000 euros.

Os juízes decidiram então condená-la a sete dias de prisão e pediram às autoridades francesas que a detivessem e enviassem para Haia, o que foi recusado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.

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