Angelina Jolie pede ajuda para garantir direitos de 20 mil crianças venezuelanas

A atriz e embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para as Migrações alerta que a Colômbia, o Peru e o Equador precisam da ajuda da comunidade internacional para responderem à crise de refugiados

A estrela de Hollywood Angelina Jolie apelou neste sábado à comunidade internacional para que esta assegure mais apoio aos três países sul-americanos que mais migrantes têm recebido de uma Venezuela em crise, afirmando que há 20 mil crianças daquele país que correm o risco de ficarem sem direitos básicos de cidadania.

Jolie falava na Colômbia, na qualidade de enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para as Migrações (UNHCR), no âmbito de uma viagem de dois dias em que tem encontros marcados com migrantes venezuelanos naquele país e com o presidente da Colômbia, Ivan Duque, em Cartagena.

Quatro milhões de refugiados e migrantes venezuelanos fugiram da crise humanitária e económica na sua terra natal. E mais de um milhão destes estão a viver na Colômbia, onde o governo e agências humanitárias se têm debatido para assegurar habitação, alimentos e cuidados de saúde para um fluxo sempre crescente de migrantes, que chegam a zonas fronteiriças já de si afetadas pela pobreza e pela violência.

Bebés sem pátria

Os pais de crianças venezuelanas nascidas no exterior debatem-se frequentemente com dificuldades para registar o nascimento dos seus bebés, tanto por falta de acesso a uma cada vez mais reduzida rede de consulados venezuelanos como por não terem documentos de migração.

"O presidente e eu falámos sobre o risco que mais de 20 mil crianças venezuelanas correm de se tornarem apátridas, do empenho dele em ajudar estas crianças", revelou Angelina Jolie numa conferência de imprensa. "E concordámos na necessidade urgente de que a comunidade internacional reforce o seu apoio à Colômbia, ao Peru e ao Equador, os quais estão a sentir o maior impacto desta crise".

Ivan Duque disse esperar que a visita da atriz alertasse o mundo para a gravidade da crise migratória. E acrescentou ter mantido uma produtiva reunião com Jolie e elementos do UNHCR na qual discutiram formas de assegurar a cidadania a crianças apátridas.

Jolie, que já tinha visitado migrantes venezuelanos no Peru, em outubro do ano passado, irá concluir a presente deslocação na cidade fronteiriça de Maicao, no deserto, ao final do dia deste sábado.

Uma crise sem fim à vista

A implosão da economia venezuelana tem causado a escassez generalizada de alimentos e medicamentos, enquanto as hostilidades políticas conduziram a ondas de violência fatal. A crise acentuou-se desde que os Estados Unidos impuseram sanções, incluindo sobre a fundamental indústria petrolífera, numa tentativa de afastar o presidente Nicolas Maduro em benefício do líder da oposição, Juan Guaidó.

Dezenas de países espalhados pelo mundo reconhecem Guaidó como o presidente interino, afirmando que Maduro manipulou a sua reeleição de 2018, mas o apoio destas nações não tem sido suficiente para afastar maduro, que continua a contar com o apoio das estruturas militares de topo. Maduro tem acusado os seus opositores de conspirarem com Washington para levar a cabo um golpe de Estado.

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