Andrew Scheer, a resposta conservadora a Justin Trudeau

Foi eleito líder dos conservadores após 13 votações. Tem muito em comum com o atual primeiro-ministro, mas terá de, até outubro de 2019, tentar bater a sua popularidade

Tem 38 anos e é, desde 27 de maio, o líder do Partido Conservador do Canadá, depois de ter sido eleito após 13 rondas de votação. Com esta eleição, Andrew Scheer, o discreto ex-líder da Câmara dos Comuns, irá disputar a liderança do governo nas legislativas de 2019 com o popular Justin Trudeau. Até lá terá de unir o seu partido e aumentar a sua visibilidade pública.

Os dois pontos percentuais que lhe permitiram ganhar a liderança do partido à ex-ministra dos Negócios Estrangeiros Maxime Bernier mostram bem como os conservadores se encontram divididos entre aqueles que querem um debate sobre o aborto e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo - ambos legais no Canadá - e aqueles que preferem o foco nos assuntos económicos e fiscais. "Todos os conservadores precisam de ter lugar no nosso partido e sentir-se bem recebido", declarou Scheer pouco depois da sua eleição.

Tal como Trudeau, de 45 anos, Scheer é jovem, uma figura simpática e tem filhos pequenos. As suas origens são, no entanto, mais humildes: é filho de uma enfermeira e de um bibliotecário, enquanto o pai de Trudeau era o ex-primeiro-ministro liberal Pierre Trudeau. Agora tem pouco mais de dois anos para aumentar a sua visibilidade pública se quer tornar-se o próximo chefe do governo canadiano.

"Andrew Quem?", podia ler-se na primeira página do jornal Toronto Star no dia seguinte à sua eleição como líder dos conservadores. Uma sondagem da Nanos Research publicada no dia 2 dava aos liberais de Trudeau uma vantagem de 11,9 pontos percentuais em relação aos conservadores de Scheer, que pretendem recuperar a liderança do governo perdida por Stephen Harper em 2015, após nove anos como primeiro-ministro.

Uma diferença mesmo assim mais curta do que o estudo de opinião anterior, feito antes da eleição de Scheer, e no qual se registava uma distância de 14 pontos entre os dois partidos. "Não basta aos conservadores eleger um líder que pode dar a volta às coisas. Eles precisam que os liberais cometam erros de forma a mudar estes números", comentou Nik Nanos, o fundador desta empresa de sondagens.

Andrew Scheer já deixou pistas sobre como tenciona derrotar o primeiro-ministro Justin Trudeau, que descreve como sendo um elitista sem contacto com as pessoas comuns. Depois da sua surpreendente eleição como líder dos conservadores canadianos, este jovem de 38 anos admite que "temos muito trabalho pela frente". "Nós não somos o partido dos privilegiados e das elites", afirmou Scheer, líder da Câmara dos Comuns entre 2011 e 2015, perante os deputados conservadores. "Os liberais podem seguir o seu caminho no circuito dos cocktails. Nós faremos o nosso nas carrinhas, nos campos de futebol, nos centros comunitários, nos supermercados", declarou.

A seu favor, Scheer tem o facto de ser apreciado dentro do partido e os seus quatro anos como líder da Câmara dos Comuns deram-lhe um bom relacionamento com todos os parlamentares. "Ele é novo, é dinâmico, sabe trabalhar com pessoas, por isso é um bom resultado para os conservadores. Eles têm uma boa alternativa a Trudeau", refere Kathy Brock, professora de Ciência Política na Queen"s University.

Scheer quer eliminar o grande défice do Canadá em dois anos (o orçamento apresentado por Trudeau em março aponta para um défice de 28,5 mil milhões de dólares em 2017-2018) e promete deitar fora o plano dos liberais de aplicar uma taxa de carbono para ajudar a lutar contra as alterações climáticas.

Pró-vida e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, pretende também reabrir o debate sobre estes dois temas, ambos legais no Canadá. No entanto, para não afugentar o eleitorado conservador mais liberal, já deixou claro que não pretende rever estas leis, mas apenas permitir que sejam debatidas pelos deputados.

Quanto ao acolhimento de refugiados, uma das marcas de Trudeau, Scheer quer dar prioridade às minorias religiosas como cristãos do Médio Oriente, que considera serem mais vulneráveis, e defende a sua integração através do apoio de privados e não do Estado.

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