Amnistia condena detenção de ativistas em Istambul

Parlamento Europeu vota a favor de suspensão de negociações para a adesão.

A diretora da Amnistia Internacional (AI) na Turquia e mais dez pessoas foram ontem presas pelas autoridades turcas durante a realização de um seminário nos arredores de Istambul. A advogada de alguns dos detidos declarou que estes permanecerão na prisão, pelo menos, sete dias.

A operação policial decorreu enquanto os agora detidos participavam num encontro sobre gestão de informação e segurança num hotel na ilha de Buyukada, sendo depois transferidos para diferentes esquadras de Istambul. Entre os detidos, segundo uma nota divulgada pela AI, além da diretora da secção local, Idil Eser, estão dois cidadãos estrangeiros - respetivamente da Alemanha e da Suécia -, os restantes são de nacionalidade, encontrando-se entre estes o próprio diretor do hotel.

Para a secretária-geral da AI, Salil Shetty, o sucedido ontem configura um "grotesco abuso de poder e evidencia a situação precária em que vivem os ativistas dos direitos humanos" na Turquia. A AI pediu a imediata libertação das pessoas agora sob prisão.

Para a AI está-se perante "uma escalada na repressão" contra os ativistas, dando como anterior exemplo deste processo a detenção, a 9 de junho passado, do presidente da AI na Turquia, Taner Kiliç, que continua em prisão a aguardar julgamento. Kiliç é acusado de "pertencer a uma organização terrorista" e pode ser condenado a uma pesada pena. A AI recorda que, desde o falhado golpe de 15 de julho de 2016, foram presas mais de 50 mil pessoas, entre as quais 150 jornalistas, e outras 150 mil foram despedidas ou encontram-se suspensas, a grande maioria na Administração Pública e nas forças armadas e de segurança. Mais de cem títulos de órgãos de informação e editoras foram encerrados. O governo de Ancara considera responsável pela tentativa de golpe o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, que se encontra exilado há décadas nos Estados Unido, e considera indispensável as medias que têm sido tomadas devido à gravidade da ameaça.

Em protesto contra a condenação de um dos seus deputados, Enis Berberoglu, a principal formação da oposição, o Partido Republicano Popular (CHP) termina domingo em Istambul uma marcha a pedir a sua libertação. Berberoglu foi condenado a 25 anos de prisão por ter entregado a um jornal um vídeo em que, alegadamente, se veem elementos dos serviços de informações turcos a transportarem armas para a Síria.

Relacionado com a situação política interna na Turquia, o Parlamento Europeu aprovou ontem um voto a pedir a suspensão das negociações de adesão deste país. Um voto que o primeiro-ministro Binali Yildirim considerou "nula" e contrária à posições de outras instâncias da União Europeia.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG